O Ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros (Relações Exteriores-br), Abbas Araghchi, visitou Omã – país com o qual partilha a soberania inalienável do Estreito de Ormuz – depois seguiu para Islamabad, onde apresentou as três propostas sucessivas do Irão às suas negociações com os Estados Unidos, via Paquistão.

De Islamabad, Abbas Araghchi dirigiu-se a São Petersburgo, onde foi acolhido pelo czar Vladimir Putin, que, no seu clássico jogo de cadeiras, o fez sentar face a face com uma grande deferência.

Com um sorriso radiante, Putin declarou que «o povo iraniano se bate corajosa e heroicamente pela soberania» [1].

Abbas Araghchi agradeceu «a Putin e à Rússia pelo seu apoio à República islâmica» [2].

Putin enviou uma mensagem relevante ao Guia supremo iraniano, Mokhtaba Khamenei (que Israel fantasia estar morrendo) : «Reafirmo que a Rússia, tal como o Irão, tem a intenção de continuar a promover as nossas relações estratégicas» [3].

Ora, recentemente, Trump telefonou ao seu homólogo russo, o que não foi muito divulgado [4]. Irá Putin empreender uma mediação ao mais alto nível geo-estratégico?

Durante o Fórum de Diálogo Internacional Aberto, o czar Vladimir Putin diagnosticou que «o Ocidente perde o seu domínio, dando origem a novos centros de crescimento» – acrescentando ao clássico conceito «policêntrico» da política externa russa uma maior participação do «Sul Global» [5] .

A visita de Abbas Araghchi a Omã adquire uma importância transcendental para a nova configuração do Golfo Pérsico, sem falar da balcanização, no momento em que os Emirados Árabes Unidos (EAU) — que o Irão considera como o cavalo de Troia de Israel — decidiram deixar a OPEP, o que acentua o confronto dos Emirados Árabes Unidos contra o duo Arábia Saudita /Paquistão, e que beneficia os Estados Unidos graças a uma maior produção petrolífera na delicada situação actual [6].

Em convergência com a Rússia quanto à sedução do conceito geopolítico /geo-económico /geofinanceiro do «Sul Global», sublinhemos a posição do embaixador chinês na ONU sobre as «operações militares ilegais dos Estados Unidos e de Israel (mega-sic!) contra o Irão», como «a causa principal da obstrução do Estreito de Ormuz» [7].

Além disso, os especialistas chineses do Global Times salientam que «os Estados Unidos reveem o faseado plano de paz iraniano, enquanto o impasse persiste» e predizem «a probabilidade de novas flutuações (sic) antes que um consenso seja alcançado».

Por outro lado, o Chanceler alemão Merz, antigo executivo da BlackRock, emitiu uma declaração segundo a qual «o Irão está em vias de humilhar os Estados Unidos», enquanto «os iranianos são manifestamente muito hábeis a negociar, ou melhor, muito hábeis a não negociar, levando os Estados Unidos a perder seu tempo em Islamabad» [8].

Ao receber o rei Carlos III, irmão do antigo «Príncipe» André, submerso pelos arquivos Epstein ainda não completamente revelados — numa tentativa de reparar a relação muito danificada entre os Estados Unidos e a Europa e, particularmente, com o Primeiro-Ministro britânico Keir Starmer — o Presidente norte-americano vangloriou-se, contando que o Irão lhe teria pedido para por fim ao bloqueio naval do Estreito de Ormuz, o que significava, segundo ele, que «o Irão está em estado de colapso» — o que acabou ainda a ser mais exagerado pelo excêntrico Secretário do Tesouro, Scott Bessent [9].

O Ministro da Defesa israelita, o necrófilo apocalíptico Israel Katz, que nos seus exorcismos contra o Irão e o Líbano é muito mais extremista que o próprio Mileikowsky (dito Netanyahu), fulminou ao afirmar que «Israel apenas espera a luz verde dos Estados Unidos para levar o Irão de volta à Idade das Trevas e à Idade da Pedra» e que o Exército israelita estava pronto para desferir «golpes devastadores» ao Irão que provocariam «tremores e colapsos» [10].

Segundo o Hindustan Times , é provável que este fim de semana — quando os mercados bolsistas ocidentais estarão fechados e sabendo que é o momento preferido de Trump para lançar seus ataques mortais contra o Irão — Abbas Araghchi viajará para Islamabad para um segundo ciclo de negociações com os Estados Unidos, segundo as fugas de informação (vazamentos-br) do Paquistão [11].

O próximo fim de semana será de retoma da guerra ou de um apalpar de terreno, entre erros e tentativas ?

Tradução
Alva
Fonte
La Jornada (México)
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