Abstract
Resumo: Este artigo defende que o silêncio, na música para piano, não é apenas um vazio acústico, mas um poder estético ativo, o qual, por sua vez, cria ativamente significado musical. Ele responde à questão de por que o silêncio funciona como um meio estrutural, expressivo e perceptivo, analisando o conceito de espaço vazio na música para piano, através do contexto da estética filosófica chinesa. Com base nas noções taoístas de you-wu (有無相生) e da yin xi sheng (大音希声), juntamente com os princípios estéticos de liu bai (留白), jing (静) e qi yu (气韵), o texto criará um sistema filosófico integrado, no qual o vazio you funciona como um meio ativo, em vez de um nada passivo. O artigo utiliza duas peças selecionadas para piano e as práticas de performance, por meio de uma análise filosófica e interpretativa detalhada, para mostrar como as pausas, o decaimento da ressonância e a abertura do registro podem criar clareza estrutural, tensão expressiva e maior consciência perceptiva. Este trabalho expande as discussões filosóficas existentes sobre o silêncio musical, indo além dos paradigmas teóricos ocidentais, ao tratar o silêncio como um constituinte analiticamente funcional e conceitualmente produtivo, o que oferece uma abordagem conceitual não ocidental para explicar o silêncio musical.