Abstract
Este artigo conceitualiza a catalanofobia como uma forma de dominação simbólica estrutural vinculada ao modo como o Estado-nação moderno produz hierarquias de legitimidade entre identidades coletivas. Não se trata, portanto, apenas de um preconceito individual ou de uma hostilidade cultural pontual, mas de um conjunto de dispositivos institucionais, discursivos e sociais que condicionam o reconhecimento público da catalanidade. Com base em Foucault, Bourdieu, Freire, Spivak e Butler, o artigo analisa como determinadas formas de poder produzem normalidade, interiorizam hierarquias e delimitam quais vozes podem aparecer como legítimas no espaço público. O texto estabelece um paralelismo estrutural — e não uma equiparação histórica nem de intensidade — com outras formas de discriminação, como o sexismo, o racismo e a heteronormatividade, para evidenciar mecanismos comuns de naturalização do privilégio, produção da alteridade e deslegitimação da diferença. Como contribuição aplicada, propõe-se um marco exploratório para operacionalizar o reconhecimento cultural por meio de uma extensão conceitual dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e de um Índice de Opressão Simbólica. Esse índice não é apresentado como um resultado empírico definitivo, mas como uma proposta metodológica preliminar que requer desenvolvimentos posteriores com fontes verificáveis e indicadores passíveis de validação.