Satyricon E memórias póstUmas de brás cubas : Uma leitura burlesca E cômica acerca dos vícios da sociedade
Abstract
Tentaremos analisar o riso burlesco, erótico e satírico da obra de Petrônio, característico da sátira menipéia e do conto milesiano, como nos atesta Enylton Sá Rego na obra O calundu e a panacéia:Machado de Assis, a sátira Menipéia e a tradição luciânica ( 1989) e, também, Ettore Paratore no livro História da literatura latina (1987). A incursão do riso no Satiricon segue um caminho erótico e libertino e, para embasar teoricamente essa questão, buscamos o estudo do filósofo francês Michel Foucalt com sua História da Sexualidade3: o cuidado de si ( 1988) e de do historiador Paul Veyne em seu artigo o Império Romano Nosso objetivo é confrontar passagens significativas de Brás Cubas com passagens semelhantes do Satiricon, sob a perspectiva, ou seja, através da visão do narrador-personagem. Por meio do sério-cômico e do distanciamento do estilo sátira menipéia, mostraremos que mesmo destituídas de intenções moralizantes de forma direta, ambas as obras fazem uma crítica ao comportamento da sociedade. Por fim, ao tratar o riso de Petrônio e Machado como uma forma de crítica social velada, tentarei mostrar que a obra inserida na categoria de sátira menipeia não precisa satisfazer necessariamente um caráter prosimétrico, ou seja, ser uma mistura de prosa e verso - já que, dessa forma, Memórias Póstumas estaria totalmente fora do estilo - mas, sim, estar dentro de um viés cômico-crítico em relação a sociedade de sua época