Waldirene Nogueira
Waldirene Nogueira (Lins, 31 de maio de 1945 – Ubatuba, 19 de maio de 2026) foi uma manicure brasileira. Foi a primeira mulher trans a passar por uma cirurgia de redesignação sexual no Brasil em 1971.[1]
| Waldirene Nogueira | |
|---|---|
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| Conhecido(a) por | Primeira mulher trans com cirurgia de redesignação sexual no Brasil |
| Nascimento | 31 de maio de 1945 |
| Morte | |
| Nacionalidade | brasileira |
| Ocupação | manicure |
Biografia
editarWaldirene Nogueira nasceu em 31 de maio de 1945, em Lins, São Paulo, nona filha de um caminhoneiro e de uma dona de casa, sendo registrada ao nascer com o nome Waldir Nogueira. Em casa, dormia em um quarto separado dos demais irmãos, em um espaço adaptado pelo pai na antiga despensa. Durante o crescimento, foi submetida pelo pai a um tratamento com hormônios masculinos. Ainda jovem, ela se afastou da família e foi viver em uma cidade vizinha, trabalhando como manicure.[2]
Em 1969, começou a ser atendida pela endocrinologista Dorina Epps no Hospital das Clínicas de São Paulo. Depois de dois anos de acompanhamento interdisciplinar e sessões semanais de terapia, recebeu laudo que reconhecia sua condição de transexualidade. Em dezembro de 1971, o cirurgião plástico Roberto Farina realizou o procedimento em Waldirene, naquela que seria a primeira cirurgia de redesignação sexual em uma mulher trans do Brasil, no Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo, sem custo para a paciente.[2]
Cinco anos depois, ao entrar na Justiça para retificar o nome civil, o Ministério Público descobriu a cirurgia e denunciou o médico Roberto Farina por lesão corporal gravíssima. Waldirene foi declarada vítima à sua própria revelia. Em 1976, Waldirene foi retirada coercitivamente da escola onde estudava inglês e levada ao Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo. No IML, ela foi obrigada a se despir, fotografada nua em diversas posições e submetida a exame ginecológico com registro fotográfico.[3]
Em 1978, o juiz condenou Farina a dois anos de reclusão. Durante o processo, Waldirene reuniu cartas de autoridades e moradores em defesa do médico, além de um abaixo-assinado com cerca de 350 assinaturas. A sentença foi revertida em segunda instância em 1979.[4]
Formada em contabilidade, Waldirene nunca exerceu a profissão devido à divergência entre sua identidade e o nome de registro. Também optou por não tirar carteira de motorista pelo mesmo motivo. A certidão de nascimento com o nome Waldirene só foi alterada em outubro de 2010, quando tinha 65 anos. O RG foi retificado em janeiro de 2011.[5]
Ao longo da vida, trabalhou como manicure e viveu de forma discreta. Segundo Alessandra Cotrim, sobrinha de Waldirene, no fim da vida ela vivia acamada em Ubatuba, sob os cuidados de um dos irmãos.[6]
Waldirene Nogueira morreu em decorrência de insuficiência respiratória aguda em Ubatuba, São Paulo, em 19 de maio de 2026 aos 80 anos.[1]
Ver também
editarReferências
- 1 2 «Morre Waldirene, 1ª mulher trans a passar por cirurgia no Brasil». G1. 19 de maio de 2026. Consultado em 22 de maio de 2026
- 1 2 «Quem foi a 1ª mulher trans a passar por cirurgia no Brasil». G1. 19 de maio de 2026. Consultado em 22 de maio de 2026
- ↑ «A História de Waldirene». nucleotrans.unifesp.br. Consultado em 22 de maio de 2026
- ↑ «'Monstro, prostituta, bichinha': como a Justiça condenou a 1ª cirurgia de mudança de sexo do Brasil». BBC News Brasil. 20 de maio de 2026. Consultado em 22 de maio de 2026
- ↑ «Primeira mulher trans a fazer redesignação sexual no país morre aos 80 anos». CNN Brasil. 20 de maio de 2026. Consultado em 22 de maio de 2026
- ↑ Vale, Redação Band (20 de maio de 2026). «Waldirene Nogueira, pioneira da redesignação sexual, morre em Ubatuba». Band. Consultado em 22 de maio de 2026
