Na mitologia grega, Nausicaa (em em grego clássico: Ναυσικάα; romaniz.: Nausikáa), filha de Alcinoo, é uma princesa feácia. Ela aparece pela primeira vez na Odisseia, onde resgata o náufrago Odisseu nas costas da Feácia e o leva para o palácio de seus pais, o rei Alcinoo e a rainha Arete. Corajosa e generosa, Nausícaa inspirou muitos autores e artistas durante a Antiguidade, até os dias atuais.

Pieter Lastman, Ulisses e Nausícaa, óleo sobre tela, 1619, Alte Pinakothek, Munique

Mito antigo

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Na Odisseia de Homero

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Nausicaa e suas criadas jogando bolas, ilustração de John Flaxman, 1810.

Nausicaa é uma das personagens da Odisseia de Homero, onde é mencionada principalmente no Livro VI. A deusa Atena aparece para ela em um sonho disfarçada de uma de suas amigas, a instruindo a lavar suas roupas em preparação para o seu casamento. Ela então viaja, acompanhada por suas damas de companhia, até um rio próximo. Assim que terminam o trabalho, jogam bola, e os gritos durante a brincadeira acordaram Ulisses, que havia naufragado ali perto. Nu, sujo, faminto e exausto, o herói decidiu fazer-se notar:[1]

"Pobre de mim! A que terra cheguei? Quais os homens que a habitam?

São, porventura, selvagens violentos, que as leis desconheçam, ou de estrangeiros amigos, e afeitos ao culto dos deuses? Como de moças, soou-me aos ouvidos um grito estridente, provavelmente de ninfas, que moram nos picos dos montes, pelas nascentes dos rios, ou mesmo nos prados ervosos. Eis-me, por certo, chegado ao convívio de gentes que falam. Vamos! Eu próprio hei de logo a verdade saber com meus olhos"

(VI, 120)

Nausícaa então cuidou de Odisseu, ajudando na sua higiene, dando-lhe roupas e comida. Depois, ela o conduziu até seu pai, Alcínoo, rei da Feácia, e até sua mãe, Arete.

Odisseu permaneceu por um tempo na Feácia e revelou sua identidade derramando lágrimas quando o bardo Demódoco relatou a Guerra de Troia. Odisseu então contou a narrativa de suas próprias aventuras aos feácios. No Livro VII, Alcínoo ofereceu a mão de sua filha em casamento a Odisseu, mas o herói prefere partir o mais rápido possível.

Nausicaa aparece novamente no Livro VIII, onde se despede de Odisseu:[2]

"Salve, estrangeiro! Ao te vires de novo na pátria querida,

lembra-te sempre de mim, a quem deves primeiro a hospedagem."

(VIII, 460)

Na escrita de outros autores

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Diversos autores antigos reescreveram o episódio da Odisseia ou imaginaram o que aconteceu na vida de Nausícaa após sua aparição na epopeia homérica. No século V a.C., o dramaturgo ateniense Sófocles compôs uma peça, hoje perdida, da qual se conhecem dois títulos : Nausicaa ou As Lavadeiras (Plyntriai). De acordo com o helenista Timothy Gantz, o segundo título provavelmente se referia às jovens personagens femininas que compunham o o elenco, o que significa que a peça era uma tragédia. No entanto, seu enredo não é conhecido.[3]

O filósofo Agalis de Corcira atribui a passagem da personagem a invenção dos jogos de bola, no século II a.C..

Na Efeméride da Guerra de Troia, de Díctis de Creta (mais tarde se tornou uma das principais fontes para o mito da Guerra de Troia na Idade Média) indica que Nausícaa casou-se posteriormente com Telêmaco, filho de Odisseu, com quem teve um filho chamado Perseptóle ou Ptoliporto.

Em obras de arte da antiguidade

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Arte em uma ânfora de figuras vermelhas de 440 a.c., preservada em Munique. Na imagem Ulisses a esquerda se aproxima de Nausícaa, a deusa Atenas esta entre eles, a direita uma serva foge.

A cena do encontro entre Ulisses e Nausícaa aparece em cerâmicas da Grécia Antiga.

Em Baltimore[4] esta preservado um exaleiptron de figuras negras que mostra um grupo de mulheres assustadas fugindo, a última delas se vira para gesticular em direção a um casal em profunda conversa. A cena pode ser interpretada como o encontro entre Odisseu e Nausícaa.

Representações após a Antiguidade

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Literatura

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  • Goethe concebeu um projeto para uma tragédia intitulada Nausicaa, que ficou inacabada.
  • Jules Lemaître encena um encontro entre Nausicaa e Telêmaco em sua coleção de contos, En marge des vieux livres, primeira série (1905) : O casamento de Telêmaco (p. 23).
  • Em Ulisses, de James Joyce, o capítulo 13 fala sobre o encontro entre Ulisses e Nausícaa.
  • Em "A água e o sonho", do filósofo Gaston Bachelard, ele usa o conceito "complexo de Nausicaa" para designar imagens de livro ilustrados que mostram náiades, ninfas ou mulheres tomando banho, que são representadas no reflexo da água.[5]
  • Na peça de Aimé Césaire, Une tempête (baseada na peça de Shakespeare), Ferdinando se refere ao naufrágio de Ulisses e vê em Miranda sua própria versão de Nausicaa.
  • O escritor alemão Karl Mickel adaptou o mito de Nausicaa para o teatro em 1967, numa peça com o mesmo nome. Essa releitura permitiu-lhe oferecer uma reflexão sobre o estado da Alemanha na época sem atrair muita atenção da censura alemã.
  • No romance de Robert Graves, A Filha de Homero, é Nausicaa quem compõe a Odisseia.

Música

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  • Peggy Glanville-Hicks compôs Nausicaa, ópera que a cantora Teresa Stratas interpretará no Odeão de Herodes Ático, em Atenas.
  • Reynaldo Hahn compôs Nausicaa, uma ópera em dois atos, que estreou na Ópera de Monte Carlo em 13 de abril de 1919.
  • Em 2013, o cantor francês Luc Arbogast lançou seu álbum Odysseus, no qual interpretou uma faixa intitulada Nausicaa (O Moldau).
  • Ainda em 2013, o saxofonista americano Chris Potter gravou um álbum intitulado The Sirens, em que cada faixa narra um trecho da Odisseia. Uma das faixas se chama " Nausikaa "

Pinturas

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O encontro entre Ulisses e Nausícaa na Odisseia tornou-se um tema convencional em pinturas a partir do Renascimento.Por exemplo:

Cinema e televisão

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Em 1984, Hayao Miyazaki adaptou seu próprio mangá, Nausicaä do Vale do Vento (publicado a partir de 1982), para um filme de animação. Apenas o nome da personagem evoca a heroína grega; o filme conta uma história original sem qualquer ligação com a mitologia.

Nausicaa aparece na série animada L'Odysseia. Ela é retratada como uma jovem doce e muito bonita. Sua imensa beleza vem de um espelho mágico, o peso da beleza é muito difícil de suportar, pois acaba por enfeitiçar os homens e fazendo com que fiquem perdidamente apaixonados.

Arquitetura

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O Midland Hotel, projetado pelo arquiteto Oliver Hill, foi construído entre 1932 e 1933 e apresenta um relevo representando Ulisses e Nausícaa.

Galeria

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Outras homenagens

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Em astronomia, Nausicaa dá nome a um asteroide do cinturão principal descoberto pelo astrônomo austríaco Johann Palisa em 1879, (192) Nausicaa.

Em 1991, o centro nacional do mar em Boulogne-sur-Mer, França, recebeu o nome da princesa feácia.

Algumas empresas tambem levam o nome de "Nausicaa".

Notas e referências

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Apêndices

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Bibliografia

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Autores antigos

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Estudos acadêmicos

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