N-esfera

generalização da esfera ordinária para espaços de dimensão arbitrária
 Nota: Se procura uma região delimitada por uma esfera-n, veja n-bola.

Em matemática, uma n-esfera (ou hiperesfera) de raio é a generalização da circunferência e da esfera ordinária para espaços euclidianos de dimensão arbitrária. A -esfera é o conjunto de todos os pontos no espaço euclidiano de dimensão que estão a uma distância fixa de um ponto central fixo.

Uma 2-esfera representada no espaço euclidiano tridimensional. Trata-se de uma superfície de dimensão 2 que delimita a 3-bola.

Em termos de topologia, a -esfera é uma variedade diferenciável compacta de dimensão , sem bordo, e que é o bordo da n-bola de dimensão . Costuma-se denotar a -esfera unitária (de raio ) por ou .

Definição

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Para qualquer número natural , a -esfera de raio centrada em é formalmente definida como o subconjunto de :

Quando o centro está na origem () e o raio é unitário (), a esfera é chamada de -esfera unitária e é dada por:

Distinção de dimensão

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A dimensão da -esfera é , embora ela esteja naturalmente imersa no espaço euclidiano de dimensão :

  • A 0-esfera () é o par de pontos discretos , correspondendo às extremidades de um segmento de reta (uma 1-bola).
  • A 1-esfera () é a circunferência habitual no plano , que delimita o disco (uma 2-bola).
  • A 2-esfera () é a superfície esférica bidimensional no espaço , que delimita a bola tridimensional sólida (uma 3-bola).
  • A 3-esfera ( ou glomo) é uma variedade tridimensional imersa no espaço quadridimensional .
  • De modo geral, a -esfera () é uma hipersuperfície -dimensional contida em .

Exemplos de baixa dimensão

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SímboloNome comumEspaço ambienteDimensãoDescrição
Par de pontos0Dois pontos isolados .
Circunferência1Curva unidimensional fechada.
Esfera2Superfície esférica clássica.
3-esfera (Glomo)3Superfície tridimensional curva no espaço 4D.

Volume e área da superfície

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Seja a bola sólida de dimensão e raio delimitada pela -esfera . A medida da -esfera corresponde à "área" de sua hipersuperfície de dimensão , enquanto a -bola possui um "hipervolume" de dimensão .

Usando a função gama , o hipervolume da -bola e a área de superfície da -esfera são expressos por:

[1]

Fórmulas explícitas em baixas dimensões

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Medida da superfície da -esferaVolume da -bola
0
1
2
3
4
5

Comportamento assintótico

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À medida que a dimensão , tanto o volume da bola unitária quanto a área da esfera unitária convergem rapidamente para zero:

O volume máximo da bola unitária ocorre para a dimensão (onde ), enquanto a área da esfera unitária atinge seu valor máximo em (onde ).

Coordenadas hiperesféricas

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Assim como as coordenadas polares generalizam-se para coordenadas esféricas em , é possível definir um sistema de coordenadas hiperesféricas em . Qualquer ponto pode ser parametrizado por uma distância radial e ângulos , onde e :

O elemento de volume na -esfera unitária induzido pela métrica euclidiana é:

Projeção estereográfica

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Ilustração da projeção estereográfica a partir do polo norte em direção a um plano.

A projeção estereográfica é uma transformação conforme que mapeia a esfera privada de um ponto (geralmente o polo norte ) de forma difeomórfica ao espaço euclidiano .

A projeção associa o ponto ao ponto por:

A transformação inversa é dada por:

Esta projeção demonstra que é a compactificação de um ponto de , isto é, .

Propriedades topológicas e geométricas

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Homologia e Homotopia

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Os grupos de homologia simplicial e singular da -esfera com coeficientes inteiros são:

Para os grupos de homotopia :

  • para todo .
  • , onde o gerador é o grau topológico da aplicação identidade (Grau de Brouwer).
  • Para , os grupos podem ser não triviais e exibem estruturas algébricas ricas (por exemplo, por meio da Fibração de Hopf).[2]

Teorema da Bola Cabeluda

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Pelo Teorema da bola cabeluda, uma -esfera admite um campo vetorial tangente contínuo que nunca se anula se, e somente se, for um número ímpar. Isso significa que (a superfície esférica comum) não pode ser "penteada" sem que haja ao menos um ponto de descontinuidade ou vértice nulo.[3]

Paralelizabilidade e Estruturas de Lie

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Uma esfera é dita paralelizável se seu feixe tangente for trivial. Pelo teorema de Adams, as únicas esferas paralelizáveis são:

  • , , e .[4]

Dentre elas, apenas as três primeiras admitem estrutura de grupo de Lie:

  • (grupo discreto de 2 elementos).
  • (grupo circular / números complexos unitários).
  • (grupo unitário especial / quaterniões unitários).
  • é parametrizada pelos octoniões unitários, mas não forma um grupo de Lie devido à falta de associatividade.

Esferas exóticas

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Em 1956, John Milnor provou a existência de esferas exóticas: variedades diferenciáveis que são homeomorfas à 7-esfera padrão , mas não são difeomorfas a ela. Posteriormente, mostrou-se que existem exatamente 28 estruturas diferenciáveis distintas na 7-esfera. [5]


Ver também

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Referências

  1. Folland, Gerald B. (1999). Real Analysis: Modern Techniques and Their Applications (em inglês). [S.l.]: John Wiley & Sons. pp. 78–81. ISBN 978-0-471-31716-6
  2. Hatcher, Allen (2002). Algebraic Topology (em inglês). [S.l.]: Cambridge University Press. pp. 134–135. ISBN 978-0-521-79540-1
  3. Milnor, John (1978). «Analytic proofs of the "hairy ball theorem" and the Brouwer fixed-point theorem». The American Mathematical Monthly (em inglês). 85 (7): 521–524. doi:10.2307/2320860
  4. Adams, J. Frank (1960). «On the Non-Existence of Elements of Hopf Invariant One». Annals of Mathematics (em inglês). 72 (1): 20–104. doi:10.2307/1970147
  5. Milnor, John (1956). «On manifolds homeomorphic to the 7-sphere». Annals of Mathematics. 64 (2): 399–405. doi:10.2307/1969660

Ligações externas

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