Lavapés
A Sociedade Recreativa Beneficente e Esportiva Lavapés Pirata Negro (conhecida simplesmente como Lavapés) é a mais antiga escola de samba da cidade de São Paulo ainda em atividade, tendo sido fundada em 9 de fevereiro de 1937 por Madrinha Eunice (Deolinda Madre).[1] Suas cores oficiais são o vermelho e o branco, uma homenagem à Unidos de São Carlos (atual Estácio de Sá), do Rio de Janeiro, que a inspirou.[2] A escola tem como símbolo uma baiana, representando as matronas dos terreiros e a tradição das tias baianas.[3]
Lavapés Pirata Negro | |
|---|---|
| Fundação | 9 de fevereiro de 1937 (89 anos) |
| Cores | Vermelho e Branco |
| Símbolo | Baiana |
| Bairro | Liberdade (sede social) Jabaquara (ensaios e quadra) |
| Desfile de 2026 | |
| Enredo | Candeia em seu Trono é Rei! Luz, Inspiração & Arte Negra na Rua |
Heptacampeã do Grupo Especial (1950, 1951, 1952, 1953, 1956, 1961 e 1964), a escola ocupa a sexta posição no ranking histórico dos campeonatos paulistanos. Em dezembro de 2025, foi reconhecida por unanimidade pela Assembleia Legislativa como Patrimônio Histórico Cultural Imaterial do Estado de São Paulo através do Projeto de Lei nº 867/2024, de autoria do deputado Teonilio Barba (PT).[4] Atualmente, sob a presidência do ator Ailton Graça (desde 2019), a agremiação vive um processo de renascimento cultural e social, com ensaios e atividades no bairro do Jabaquara.[5]
A história da Lavapés, como a de diversas agremiações da cidade que não figuram nas primeiras divisões do carnaval, não estava completamente registrada. Este verbete baseia-se em pesquisa acadêmica da Universidade de São Paulo que reconstituiu essa trajetória por meio de história oral e levantamento de documentos,[6] demonstrando que a fundação da escola na Liberdade é uma importante evidência da significativa presença negra no bairro — presença esta omitida pelas narrativas oficiais que atribuem a ocupação da região exclusivamente a imigrantes japoneses.
O Território Negro da Liberdade: O Berço do Samba Paulistano
editarAntes mesmo da fundação da Lavapés, a região que compreende os atuais bairros da Liberdade, Cambuci e Glicério constituía um território de intensa e fundamental presença negra na cidade de São Paulo. Durante o período colonial e imperial, a área abrigava os símbolos da opressão e da resistência: o antigo Largo da Forca (atual Praça da Liberdade), o pelourinho e a cadeia eram locais de execução e tortura, onde, segundo a tradição popular, o soldado negro Chaguinhas teria tido sua forca arrebentada três vezes, levando a multidão a gritar "Liberdade!" – uma das versões para a origem do nome do bairro.[6] Ao lado, funcionava o Cemitério dos Aflitos, o primeiro cemitério público da cidade, reservado ao sepultamento de escravizados, indígenas e condenados, onde homens e mulheres negras realizavam seus ritos litúrgicos de culto aos mortos, numa prática de resistência e fé que misturava o catolicismo oficial às tradições de matriz africana.[6]
Nas primeiras décadas do século XX, essa mesma região era um "gueto de sambistas" e um núcleo cultural pulsante, com salões de baile e a tradicional Festa da Igrejinha de Santa Cruz. Foi ali, na Rua da Glória, que a comunidade negra se organizava em torno de associações, clubes e times de futebol de várzea, como o Esporte Clube Lavapés.[6]
A partir da década de 1910, a região começou a sofrer um processo de transformação urbana orientado por uma ideologia racista e higienista das classes dominantes. As intervenções urbanísticas (alargamento de ruas, arrasamento de morros) e o forte incentivo à imigração, primeiro europeia e depois japonesa, visavam "embranquecer" a cidade e apagar a memória de sua população negra. Aos poucos, a Liberdade foi sendo caracterizada como um "bairro eminentemente japonês", com suas lanternas e festividades nipônicas, enquanto a memória da ocupação negra era deliberadamente silenciada.[6] Em 2018, a lei municipal 16.960 chegou a alterar o nome da Praça da Liberdade para "Liberdade-Japão", um ato simbólico que escancarou essa tentativa de apagamento histórico.[6]
É nesse contexto de resistência cotidiana, de luta por espaço e de afirmação identitária que nasce a Escola de Samba Lavapés. A sua permanência na região, mesmo após décadas de transformações e pressões imobiliárias, é um ato de resistência negra. A casa da fundação, na Rua da Glória, 955, foi tombada como patrimônio histórico municipal pelo CONPRESP em 2018, como parte do "Caminho Histórico Glória-Lavapés", um reconhecimento oficial, ainda que tardio, de que aquelas ruas guardam "memórias importantes como a memória de ocupação negra, a memória morfológica do traçado da cidade colonial e a memória visual e topográfica da condição acidentada do terreno".[7] No entanto, como critica o site São Paulo Antiga, o poder público trata a área de forma desigual: enquanto a parte "oriental" do bairro recebe investimento, limpeza e segurança, a "baixada do Glicério", onde está a casa de Madrinha Eunice, sofre com o descaso. "Será que se a casa estivesse na parte 'bairro oriental' da Liberdade a conversa seria outra?", questiona o jornalista Douglas Nascimento.[7]
Este processo de expulsão da população negra das áreas centrais não foi isolado. Como documentado pelo pesquisador Gleuson Pinheiro, do Laboratório Cultura, Cidade e Diáspora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), em sua pesquisa sobre a Escola de Samba Príncipe Negro, a construção de grandes avenidas e a valorização imobiliária empurraram comunidades inteiras para as periferias mais distantes, como a Cidade Tiradentes, onde muitos ex-moradores do centro foram reassentados. A história da Lavapés se insere neste mesmo contexto de disputa territorial e resistência cultural.[6][8]
História
editarAntecedentes e a Pioneira Madrinha Eunice
editarA história da Lavapés se confunde com a biografia de sua fundadora, Deolinda Madre, a Madrinha Eunice (Piracicaba, 14 de outubro de 1909 – São Paulo, abril de 1995).[2] Filha de ex-escravizados, Mathis Madre e Sebastiana Franco do Amaral, que conquistaram a liberdade por meio de cartas de alforria, Madrinha Eunice mudou-se para a capital aos 11 anos de idade, estabelecendo-se no bairro da Liberdade.[2]
Ela construiu sua independência econômica como quitandeira, chegando a ter quatro barracas de frutas na região central, o que lhe permitiu alugar três cômodos na Rua da Glória, onde acolhia hóspedes e sustentava a comunidade ao redor.[2] Era uma mulher de "reza forte", frequentadora assídua das festas religiosas de Bom Jesus de Pirapora – consideradas o berço do samba paulista, como demonstra a pesquisa da professora Olga von Simson, da Unicamp[9] – e das festas de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. Em seu terreiro de Quimbanda, tinha assentado a entidade Exu Veludo, que se tornou o patrono espiritual da futura escola de samba. A pesquisadora Carminda Mendes André, do Instituto de Artes da Unesp, destaca que "a gente aprende, com Madrinha Eunice, que fazer carnaval não é só a brincadeira, mas é também o louvor aos orixás".[2]
Casou-se com Francisco Papa, o Chico Pinga, com quem formou uma parceria musical e pessoal por décadas. No entanto, quando confrontada com um ultimato para escolher entre o marido e a escola, optou pelo samba e se separou. Sem poder ter filhos biológicos, tornou-se madrinha de 41 afilhados, origem do apelido que a consagrou.[2]
Madrinha Eunice representa um "feminismo muito forte em solo nacional", anterior aos movimentos feministas dos anos 1960, por sua independência, liderança comunitária e capacidade de não se submeter aos padrões da época.[2] Foi a primeira mulher a presidir uma escola de samba no Brasil, acumulando também o pioneirismo como presidenta de um time de futebol de várzea, o Esporte Clube Lavapés.[2]
Fundação: A Primeira Escola de Samba de São Paulo (1937)
editarEm 1936, Madrinha Eunice viajou ao Rio de Janeiro com Chico Pinga e encantou-se com os desfiles das escolas de samba na Praça Onze, especialmente com a Unidos de São Carlos (atual Estácio de Sá), uma agremiação vermelha e branca.[1] Decidida a transplantar o modelo para São Paulo, retornou e, em 9 de fevereiro de 1937, reuniu familiares e amigos – entre eles o irmão Zé da Caixa – e fundou a Sociedade Recreativa Beneficente Esportiva Escola de Samba Lavapés, na casa da Rua da Glória, 955, no bairro da Liberdade.[1][7]
Este ato foi inovador e ousado, pois, diferentemente de outras agremiações históricas paulistanas como a Vai-Vai e a Camisa Verde e Branco, que evoluíram a partir de cordões carnavalescos, a Lavapés já nasceu com a concepção de escola de samba, sendo a primeira a se firmar nesse formato na capital paulista.[2] A escolha do nome "Lavapés" é um topônimo, uma referência direta à rua onde a escola foi fundada e ao córrego onde os viajantes lavavam os pés ao entrar na cidade.[7]
Fatos e Datas: A Trajetória Década a Década
editarDécadas de 1930 e 1940: Os Primeiros Anos e o Testemunho de Lévi-Strauss
editarA Lavapés nasceu em uma região que era forte em desfiles de blocos e ranchos, o bairro da Liberdade. O local era refúgio de festas e gueto de sambistas dos mais famosos, um núcleo cultural, que ainda contava com salões de baile e a tradicional festa na Igrejinha de Santa Cruz, festa de negros e de sambistas como Madrinha Eunice. O samba integrava diversas novidades e os desfiles de carnaval foram sofrendo inúmeras alterações. O carnaval na década de 30 na cidade de São Paulo ainda era dominado pelos grupos carnavalescos e cordões.[10]
Um dos mais preciosos registros da época vem do etnólogo francês Claude Lévi-Strauss, que viveu em São Paulo entre 1935 e 1937. Fascinado pela cidade, ele registrou suas experiências carnavalescas:
"Meus colegas e eu havíamos chegado a São Paulo em pleno Carnaval. Na mesma noite, saímos em exploração através da cidade. Num bairro popular, uma casa baixa com janelas abertas deixava ouvir uma música tonitruante e viam-se pessoas dançando. Aproximamo-nos, um negro alto que guardava a porta disse que podíamos entrar para dançar, mas não para olhar. Dançamos, portanto, com aplicação, receio que sem a menor habilidade, e causando muitos incômodos às mulheres jovens, negras também, que, numa total indiferença, aceitavam nossos convites."[11]
Esse relato é um testemunho único da vivência do samba nos redutos negros da cidade, demonstrando a presença marcante dessa cultura no centro, décadas antes da sua oficialização.
Década de 1950: Inovações e Tetracampeonato
editarNo início da década de 50, a disputa das escolas de samba da cidade foi unificada, esta acontecia na Praça da Sé, centro de São Paulo. A Lavapés conquistou os títulos de 1950 a 1953 e de 1956, ano em que o carnaval da cidade começou a ficar mais disputado, dividindo o título com a Nenê de Vila Matilde.[3] Por volta de 1950, com a chegada de Popó, um sambista carioca que veio morar em São Paulo e logo se envolveu com a Lavapés, a escola inovou, implantando o Casal de Mestre Sala e Porta Bandeira e a Comissão de Frente.[3]
Foi por esta época que começaram a surgir também nos desfiles de São Paulo, os primeiros sambas de enredo (músicas que contavam a história que desfilava na avenida), feitos por compositores de cada agremiação carnavalesca e exclusivamente para o carnaval e seu desfile. Madrinha Eunice, Chico Pinga, Popó e Doca foram parceiros constantes até 1968. Na época os sambas eram chamados de samba-tema. Sendo o primeiro deles: "São Paulo Antiga."[2]
É da Lavapés, inclusive, o pioneirismo de levar para a avenida a primeira comissão de frente feminina de São Paulo.[2]
Década de 1960 e Oficialização do Carnaval de São Paulo
editarNo ano de 1961, a Lavapés voltava a ser campeã, conquistando seu sexto título de melhor da cidade. Já em 64, a Lavapés ganha seu sétimo e até hoje, último título da elite do carnaval paulistano, voltando ao topo da cidade.[3]
Após a luta de grandes sambistas paulistanos como Madrinha Eunice e Seu Nenê de Vila Matilde,[12] para o carnaval de 1968, foram tomadas uma série de medidas pelo prefeito da cidade Faria Lima, e a disputa do carnaval foi oficializada. A Lavapés ficou em 3º lugar nesse ano (numa disputa de 3 escolas), atrás de Nenê de Vila Matilde e Unidos do Peruche, o que se repetiu em 1969.
Década de 1970 e 1980: O Declínio, a Repressão e a Expulsão do Território
editarEm 1970[13] a Lavapés ficou em 4º lugar com seis escolas e em 1971 veio o primeiro rebaixamento, com um 7º e último lugar. Durante 3 anos, a Lavapés ficou no segundo grupo das escolas paulistanas, e só conseguiu o acesso em 1974, quando ficou com a 2ª colocação. No carnaval de 1975 a escola disputou pela última vez com as grandes do carnaval de São Paulo, e com um 10º lugar a escola foi rebaixada.
O declínio foi agravado por fatores externos e trágicos. Mestre Tadeu, um dos 41 afilhados de Madrinha Eunice e hoje comendador da bateria da Vai-Vai, relembra que, "naquela época, ainda sob o regime militar, quem saía em Escola de Samba era considerado subversivo. A gente era marginalizado e apanhava da polícia. Foram tempos difíceis".[1] Apesar de não haver registros específicos de censura a enredos, a atmosfera de repressão e a perseguição aos sambistas eram uma realidade, e a Lavapés, como expressão da cultura negra, certamente a vivenciou. Ainda assim, a escola manteve enredos que celebravam a cultura negra, como "Chico Rei" (1964), "Raízes do Samba" (1965) e "Cultura Popular" (1967), numa forma de resistência silenciosa.
Além da repressão, a escola sofreu golpes duros. Por volta de 1970, o genro de Madrinha Eunice e vice-presidente, Wilson Marcondes (Teixeirinha), foi assassinado, um trauma profundo para a comunidade.
A Lavapés ficou entre 76 e 78 no grupo de acesso, até que sofreu mais uma queda. Passou o ano de 1979 no Grupo 1, sofreu mais uma queda, que a obrigou a passar os anos de 80 e 81 no grupo 2. Com mais uma queda em 81, a escola chegou ao grupo da Vaga Aberta, o último grupo do carnaval paulistano na época, e com um 11º lugar em 84, a Lavapés é retirada da disputa dos próximos três carnavais.
Nos anos 2000, a escola perdeu a sede que mantinha na Rua Barão de Iguape, 985 (obtida por concessão do INPS em 1967), que foi reivindicada pela Dataprev.[1] Rosemeire Marcondes, neta e sucessora de Madrinha Eunice, relembra que foram "15 anos sem um espaço próprio". Muitos integrantes, sem conseguir se manter no centro valorizado, foram forçados a se mudar para bairros mais afastados, dispersando a comunidade que outrora vivia no entorno da quadra.[6] Este processo de expulsão forçada é análogo ao documentado pelo pesquisador Gleuson Pinheiro sobre a Escola de Samba Príncipe Negro, que teve que migrar da Vila Prudente para Cidade Tiradentes devido à construção da Avenida Anhaia Mello e à consequente valorização imobiliária que expulsou a população negra da região.[8]
Em 1987, a escola voltou a desfilar, e desde então vem oscilando entre os grupos inferiores do carnaval paulistano.
Década de 1990 até 2019: A Era Rosemeire e a Luta pela Sobrevivência
editarCom a morte de Madrinha Eunice em abril de 1995 – que, segundo a neta, "foi embora cantando", após passar o último dia cantando sambas –, Rosemeire Marcondes (Rose) assumiu a presidência em 1996.[1] Sob seu comando, a escola sobreviveu com enormes dificuldades financeiras, utilizando a própria casa como barracão e produzindo camisetas com o rosto da avó para levantar fundos.[14]
Nesse período, a Lavapés oscilou entre os últimos grupos da UESP, com raros momentos de glória, como o título do Grupo 3-UESP em 2000 (após 15 anos sem vitórias) e o título do Grupo 4-UESP em 2015.[3] Em 2007, ficou em quarto lugar do Grupo 3 da UESP (o que equivale à quinta divisão do Carnaval Paulistano), sendo promovida para o Grupo 2.[15] Em 2010, ocorre a fundação do Marco Zero do Samba, projeto de autoria de Camilo Augusto Neto, atualmente diretor da UESP (União das Escolas de Samba Paulistanas), que visa preservar a memória do samba paulistano.[16] Em 2015, vence um carnaval depois de 15 anos.[17]
2019 - Atualidade: O Renascimento no Jabaquara e a Gestão Ailton Graça
editarNo final de 2019, após um desfile difícil e problemas de saúde, Rosemeire publicou um desabafo. O ator Ailton Graça apareceu em sua casa, e o encontro, segundo ambos, foi orquestrado por Exu. Rose impôs condições: que os patronos espirituais da escola (Exu Veludo) fossem mantidos e que a memória de sua avó fosse preservada. Ailton Graça assumiu a presidência em dezembro de 2019, e a escola passou a chamar-se oficialmente Lavapés Pirata Negro, incorporando o nome do projeto cultural e instituto de resistência negra que ele já desenvolvia.[5]
Os ensaios foram transferidos para uma nova quadra no bairro do Jabaquara, na Zona Sul, na Avenida Barro Branco, 770 (Vila do Encontro), o que deu novo fôlego e atraiu investimentos.[18] Para o carnaval de 2020, trouxe como enredo "O mundo a partir da África e o tambor que faz gira girar", se sagrando campeã do Acesso 2 de Bairros.[19]
Em 2022, conquistou o 3º lugar no Acesso 1 de Bairros com o enredo "Mamãe Oxum". Em 2023, foi vice-campeã do Acesso 1 de Bairros com "Iemanjá e o encontro das águas", ascendendo ao Grupo Especial de Bairros (UESP) para 2024. Em 2025, a escola celebrou o 4º lugar na mesma divisão com um enredo sobre Xangô Aganju.[3]
Em dezembro de 2025, a escola alcançou uma vitória histórica: foi aprovada por unanimidade na Assembleia Legislativa como Patrimônio Histórico Cultural Imaterial do Estado de São Paulo, através do Projeto de Lei nº 867/2024, de autoria do deputado Teonilio Barba (PT).[4][20]
A visão de Ailton Graça para a escola vai muito além do carnaval. O objetivo é transformá-la em um grande instituto cultural: "Seremos mais que uma escola de samba, vamos ser um lugar para fomentar saberes e formar jovens. A ideia é transformá-la em um grande instituto com escola, setor de cinema, teatro, moda, produção de conteúdo e de livros. Quero que tenha um reforço escolar aqui dentro para mandar um menino para Harvard, para a Sorbonne. Será uma ferramenta para a comunidade negra e periférica".[18] Para isso, já foi adquirido um terreno em frente ao pavilhão da agremiação, que deverá abrigar um centro de atendimento terapêutico e psiquiátrico em parceria com profissionais da área.[18]
O retorno às tradições ancestrais é uma marca da gestão. Na cerimônia de consagração dos casais de mestre-sala e porta-bandeira para 2026, realizada em 7 de fevereiro de 2026, a escola apresentou seu novo quadro, que inclui um casal mirim inédito em 89 anos de história: Enzel Patricky (13 anos) e Maria Eduarda Fernandes (10 anos). Durante o ritual, que incluiu um Ipadê (oferenda) para Exu, Ailton Graça declarou: "Nosso evento é muito diferente dos outros. A maioria das escolas entrega o pavilhão de enredo com flores. Aqui, entregamos o barracão para nossa deidade. Um ritual que foi se perdendo dentro de um processo de higienização do samba para se tornar mais palatável para a branquitude".[18] O casal principal é formado por Edgar Carobina e Vanessa de Paula Souza, e o segundo casal por Zé Roberto e Deborah de Oliveira.[21]
O enredo de 2026 é uma homenagem aos 90 anos do sambista Candeia (Antônio Candeia Filho), ícone da Portela e idealizador do Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombo (Granes Quilombo), que defendia a raiz afro-brasileira do samba e a resistência.[18] A escola terminou o carnaval de 2026 na 11ª colocação do Especial de Bairros, sendo rebaixada para o Acesso 1 de Bairros em 2027.
Fora da quadra, Ailton Graça vive um carnaval intenso, sendo homenageado como enredo de duas escolas em 2026: a Leões da Zona Oeste (SP) e a Unidos de Vila Isabel de Viamão (RS).[18]
Madrinha Eunice: Legado e Memória
editarO legado de Madrinha Eunice continua a ser celebrado e ressignificado como um ato de resistência ao apagamento histórico.
- Estátua na Praça da Liberdade: Em 2 de abril de 2022, foi inaugurada na Praça da Liberdade uma estátua em sua homenagem, obra da artista visual negra Lídia Lisboa. A escultura a retrata dançando, com saia rodada, turbante, colares e pulseiras. É a primeira estátua de uma mulher negra no projeto do Departamento de Patrimônio Histórico (DPH) voltado ao reconhecimento da ancestralidade africana na capital.[2] A escolha do local é profundamente simbólica: é uma tentativa de reinscrever a memória negra em um espaço público que, ao longo do século XX, foi sendo caracterizado como "japonês". A estátua, portanto, é também um instrumento de luta e reparação histórica, causando discussões sobre o racismo estrutural e a necessidade de se recontar a história da cidade a partir da perspectiva negra. O jornalista Douglas Nascimento, do site São Paulo Antiga, provocou: "Será que se a casa estivesse na parte 'bairro oriental' da Liberdade a conversa seria outra?".[7]
- Prêmio Madrinha Eunice de Consciência Negra: Em 13 de dezembro de 2023, a Câmara Municipal de São Paulo criou o Prêmio Madrinha Eunice de Consciência Negra, proposto pelo mandato coletivo Quilombo Periférico. O prêmio é entregue anualmente durante o Mês da Consciência Negra (novembro) a projetos e personalidades que combatem o racismo e promovem a inclusão na cidade.[2]
Enredos
editarAbaixo, a lista detalhada dos enredos apresentados pela Lavapés Pirata Negro ao longo de sua história, com comentários sobre seu contexto e importância.
- 1950 - Baianas: A escola estreou no carnaval unificado com um enredo que homenageava as figuras centrais do samba, as baianas, que representavam a tradição, a fé e a resistência cultural. O desfile ocorreu na Praça da Sé.
- 1951 - Pirapora: Uma homenagem à tradicional Festa de Bom Jesus de Pirapora, considerada o berço do samba paulista e que Madrinha Eunice frequentava assiduamente.[9] O enredo celebrava as raízes religiosas e musicais da comunidade negra.
- 1952 - Tia Ciata: O enredo homenageava Hilária Batista de Almeida, a Tia Ciata, figura central na formação do samba carioca e na diáspora africana no Brasil. A escolha reforçava os laços simbólicos entre o samba paulista e suas raízes no Rio de Janeiro.
- 1953 - Rio de Janeiro: Uma exaltação à cidade que inspirou a fundação da Lavapés, celebrando a "cidade maravilhosa" e seu papel como capital do samba.
- 1954 - Batalha dos Heróis: O enredo abordou figuras heroicas da história brasileira, possivelmente incluindo heróis negros e indígenas, em um contexto de afirmação de identidade.
- 1955 - Princesa Isabel: Em um enredo que, à primeira vista, celebrava a "Redentora", a escola provavelmente abordou a assinatura da Lei Áurea, mas com o olhar crítico de quem sabia que a liberdade formal não veio acompanhada de políticas de inclusão. Foi o ano do primeiro desfile oficial da escola no Parque Ibirapuera.
- 1956 - Folclore: Campeã, a escola celebrou as manifestações do folclore brasileiro, com suas danças, lendas e tradições, valorizando a cultura popular de matriz afro-indígena.
- 1957 - Imperatriz Leopoldina: Homenagem à imperatriz, possivelmente conectando a figura histórica à história do Brasil e à formação da identidade nacional.
- 1958 - Revoluções: Abordagem dos movimentos revolucionários na história do Brasil e do mundo, destacando a luta por liberdade e justiça social.
- 1959 - As Grandes Navegações: Enredo que tratou das navegações portuguesas, mas que poderia ser lido como uma crítica ao início da colonização e da exploração dos povos africanos e indígenas.
- 1960 - Descobrimento do Brasil: Em um contexto de ufanismo, a escola pode ter oferecido uma perspectiva crítica sobre o "descobrimento", lembrando que a chegada dos portugueses significou o início da escravidão e do genocídio dos povos originários.
- 1961 - Festa Popular: Campeã, a escola celebrou as festas populares brasileiras, com destaque para o próprio carnaval, o samba e as congadas, reafirmando a alegria como forma de resistência.
- 1962 - Nossas Origens: Um mergulho nas raízes do povo brasileiro, destacando as três matrizes (africana, indígena e europeia), mas com ênfase nas contribuições negras e indígenas, muitas vezes silenciadas.
- 1963 - Proclamação da República: Abordagem histórica da Proclamação da República, em 1889, possivelmente discutindo se a "República" representou de fato liberdade e participação para a população negra e pobre.
- 1964 - Chico Rei: O sétimo e último título do Grupo Especial veio com este enredo, que contava a história de Chico Rei, um rei africano escravizado que teria comprado sua alforria e a de seus súditos com o ouro extraído das minas, tornando-se um símbolo de resistência e liberdade. Em plena ditadura militar (iniciada em 31 de março de 1964, poucos dias após o carnaval), o enredo afirmava a resistência negra de forma contundente.
- 1965 - Raízes do Samba: Celebração das origens do samba, desde os batuques africanos até sua consagração como gênero musical e manifestação cultural brasileira. O enredo afirmava a importância da cultura negra para a identidade nacional.
- 1966 - Dom Pedro I: Enredo de temática histórica, abordando a figura de Dom Pedro I e seu papel na Independência do Brasil. Sob a ditadura, temas históricos eram frequentemente utilizados para escapar da censura, mas podiam conter leituras críticas.
- 1967 - Cultura Popular: O enredo celebrava as diversas manifestações da cultura popular brasileira, um tema que, por si só, era uma afirmação de resistência em um período de repressão aos movimentos culturais e sociais.
- 1968 - São Paulo, Passado, Presente e Futuro: No ano da oficialização do carnaval pela prefeitura de Faria Lima, a escola apresentou este enredo que buscava contar a história da cidade. A Lavapés ficou em 3º lugar na primeira disputa oficial (com apenas três escolas), atrás de Nenê de Vila Matilde e Unidos do Peruche.
- 1969 - São Paulo Antigo e São Paulo Moderno: O enredo contrastava o passado e o presente da cidade, celebrando suas transformações, mas também lembrando as tradições que se perdiam. A escola repetiu o 3º lugar do ano anterior.
- 1970 - Bahia de todos os deuses: O enredo celebrava a Bahia, sua cultura, sua religiosidade (com referências aos orixás) e sua importância como berço da cultura afro-brasileira. A escola ficou em 4º lugar.
- 1971 - Insurreição Pernambucana: Abordagem histórica da Insurreição Pernambucana (1645-1654), que expulsou os holandeses do Nordeste. O enredo, de cunho histórico, pode ter sido uma forma de falar de resistência sem atrair a censura. A escola foi rebaixada com o 7º e último lugar.
- 1972 - Independência do Brasil: Vice-campeã do Acesso, a escola apresentou um enredo sobre a Independência, um tema histórico permitido pela ditadura, mas que poderia ser lido como uma afirmação de soberania.
- 1973 - Bahia de Todo Sempre: Retorno ao tema baiano, celebrando a cultura e as tradições da Bahia, sempre um tema caro às escolas de samba.
- 1974 - Carmen Miranda, a Grande Pequena: Homenagem à "Pequena Notável", que, apesar de sua imagem estereotipada, foi uma artista que projetou a cultura brasileira no mundo. A escola ficou em 3º lugar no Acesso e retornou ao Grupo Especial.
- 1975 - Brasil em Três Tempos: O enredo dividia a história do Brasil em três momentos: passado, presente e futuro. A escola foi rebaixada do Grupo Especial com um 10º lugar.
- 1976 - Um Século de Estadão: Enredo possivelmente em homenagem ao centenário de um jornal ou instituição. A escola ficou em 7º lugar no Acesso.
- 1977 - 40 Anos de Glórias: Em comemoração aos 40 anos de fundação da escola, o enredo celebrava sua própria trajetória de lutas e conquistas. A escola repetiu o 7º lugar no Acesso.
- 1978 - A Valsa do Imperador: Enredo de temática histórica, possivelmente sobre Dom Pedro II e o período imperial. A escola obteve 12º lugar no Acesso, sendo rebaixada.
- 1979 - Bahia e Suas Tradições: Mais uma vez a Bahia como tema, em um desfile que buscava reafirmar as raízes africanas. A escola ficou em 12º lugar no Grupo 1-UESP.
- 1980 - São Paulo se Diverte: Enredo que celebrava as formas de diversão e lazer na cidade de São Paulo. A escola ficou em 6º lugar no Grupo 2-UESP.
- 1981 - Dias de Glórias de Carmem Miranda: Nova homenagem a Carmen Miranda, desta vez no Grupo 2-UESP, onde obteve 7º lugar.
- 1982 - Marquesa de Santos – Domitila de Castro, a Bela Dama Paulista: Enredo sobre a famosa personagem histórica, amante de Dom Pedro I. A escola ficou em 3º lugar na Vaga Aberta.
- 1983 - Saudoso Inocêncio Tobias: Homenagem a Inocêncio Tobias, figura importante do samba e um dos fundadores da Camisa Verde e Branco, que havia falecido. A escola obteve 7º lugar na Vaga Aberta.
- 1984 - São Paulo Se Diverte: Reprise do enredo de 1980, na Vaga Aberta. A escola ficou em 11º lugar e foi excluída dos desfiles por três anos.
- Não desfilou entre 1985 e 1986
- 1987 - Lavapés, 50 Anos de Glórias: No retorno aos desfiles, a escola celebrou seu cinquentenário, reafirmando sua história e sua resistência. Ficou em 9º lugar no Grupo 3.
- 1988 - Carmem Miranda: Mais uma homenagem à "Pequena Notável", no centenário da Abolição (que a escola não deixou de celebrar em outros momentos, mas aqui optou por um tema mais leve). Ficou em 8º lugar no Grupo 3.
- 1989 - Bahia de Todos os Santos: Retorno ao tema baiano, celebrando a capital baiana e suas tradições. Ficou em 9º lugar no Grupo 3.
- 1990 - Brasil Mestiço: Enredo que celebrava a miscigenação brasileira, mas com o cuidado de destacar o protagonismo negro e indígena na formação do país. Ficou em 6º lugar no Grupo 4.
- 1991 - Magia de Carnaval: Um metatenma, celebrando a magia e a fantasia do próprio carnaval. Ficou em 7º lugar no Grupo 4.
- 1992 - O Samba Pede Passagem: Outro metatenma, afirmando a força e a persistência do samba como manifestação cultural. Ficou em 9º lugar na Seleção B.
- 1993 - Trindade do Samba – 55 Anos de Glória: Celebração dos 55 anos da escola, com um enredo que homenageava as três escolas que considera suas "irmãs mais velhas" ou as três matrizes do samba. Ficou em 8º lugar na Seleção B.
- 1994 - Brasil Mestiço: Reprise do enredo de 1990, agora na Seleção A, com carnavalesco Horacio Rabaça Filho. A escola obteve 4º lugar.
- 1995 - E Porque Nós Somos Uma Tradição?: O título, em forma de pergunta, era uma afirmação: a escola questionava por que sua tradição não era reconhecida. Foi desclassificada.
- 1996 - Os Sete Trabalhos do Hércules Juarez da Cruz: Enredo com temática da mitologia grega, provavelmente uma alegoria para falar de superação e força. Ficou em 4º lugar na Seleção B.
- 1997 - TV... Alegria de Criança: Enredo lúdico, celebrando a televisão e sua influência na infância. Ficou em 4º lugar na Seleção B.
- 1998 - No Esplendor da Folia a Lavapés dá um Alerta à Ecologia: Enredo com temática ecológica, abordando a importância da preservação ambiental. Ficou em 5º lugar no Grupo 3-Sul.
- 1999 - É Chegada a Hora... A Virada é Agora!: O enredo anunciava uma nova fase, a esperança de dias melhores. Ficou em 2º lugar no Grupo 3-Leste 2.
- 2000 - Da Pena de Caminha... Nasce o Brasil: Campeã do Grupo 3-UESP após 15 anos sem vitórias, a escola apresentou um enredo que partia da carta de Pero Vaz de Caminha para contar a história do Brasil, provavelmente com um olhar crítico sobre os 500 anos do "descobrimento" (comemorados naquele ano), lembrando que o Brasil nasceu também da exploração e da resistência negra e indígena.
- 2001 - A Viagem de Helena de Pelô a Pelô: Com carnavalescos Marcelo Luís da Silva e Paulo Fornias, o enredo contava a história de uma baiana (Helena) e sua viagem do Pelourinho (em Salvador) a Pelotas (no Rio Grande do Sul), celebrando a diáspora africana e a presença da cultura negra em todo o país. Ficou em 4º lugar no Grupo 2-UESP.
- 2002 - De Vermelho e Branco Eu Vou... Tua Cor Me Conquistou: Com a mesma dupla de carnavalescos, o enredo era uma declaração de amor à própria escola, celebrando suas cores e sua história. Ficou em 4º lugar no Grupo 2-UESP.
- 2003 - Da Medieval à Atual, Eu Vendo, Você Compra, Na Feira Tudo se Encontra: Com a mesma equipe, o enredo abordava a história das feiras e do comércio, desde a Idade Média até os dias atuais, celebrando esse espaço de troca e encontro popular. Ficou em 5º lugar no Grupo 2-UESP.
- 2004 - Boa Noite São Paulo – Luzes, Câmera, Ação!: Enredo que homenageava o cinema, a televisão e o rádio, e sua importância na cultura brasileira. Ficou em 3º lugar no Grupo 2-UESP.
- 2005 - Do Big Bang ao surgimento dos quatro elementos: água, terra, fogo e ar: Com carnavalesco Luiz Ricardo, a escola apresentou um enredo de temática cosmogônica, abordando a criação do universo e dos elementos da natureza. Ficou em 7º lugar no Grupo 2-UESP.
- 2006 - Omi – Água Berço da Civilização Yorubá: Com Renato Lucena, a escola mergulhou na cultura yorubá, celebrando Omi (a água) como elemento sagrado e berço de civilização. O enredo afirmava a importância da religiosidade africana. Ficou em 10º lugar no Grupo 2-UESP.
- 2007 - Para Plantar, Colher e Comer: Com Renato Lucena, o enredo abordava a relação do homem com a terra, o cultivo de alimentos e a importância da agricultura para a humanidade. Ficou em 4º lugar no Grupo 3-UESP, sendo promovida.
- 2008 - Ergeu com Trabalho a Nova Terra, com Coração a Nova Nação – O Negro: Com Renato Lucena e Horácio Rabaça, este foi um dos enredos de afirmação negra mais contundentes do período. Abordava a contribuição do negro na construção do Brasil, com trabalho e coração, formando uma nova nação. Ficou em 14º lugar no Grupo 2-UESP.
- 2009 - Na Lavapés criança é brincadeira séria: Enredo lúdico, celebrando a infância e a importância de brincar, mas com um olhar social sobre a educação e o futuro das crianças. Ficou em 10º lugar no Grupo 3-UESP.
- 2010 - 100 Anos de Carmen Miranda na Lavapés de Madrinha Eunice: Com Bill de Oliveira, a escola homenageou os 100 anos de nascimento de Carmen Miranda, conectando a "Pequena Notável" à sua própria história. Ficou em 6º lugar no Grupo 3-UESP.
- 2011 - Imortal é quem te conquistou: O enredo falava de amor e paixão, provavelmente uma metáfora para o amor incondicional à própria escola de samba. Ficou em 11º lugar no Grupo 3-UESP.
- 2012 - Terra, um presente para preservar: Com Genésio Cruz e Renato Lucena, a escola voltou à temática ecológica, alertando para a necessidade de preservar o planeta. Ficou em 6º lugar no Grupo 4-UESP.
- 2013 - Datas que marcam, vem comemorar com a Lavapés!: Vice-campeã do Grupo 4-UESP com Genésio Cruz, o enredo celebrava as datas comemorativas do calendário, uma forma de festejar a vida e a história.
- 2014 - Circo, Alegria do Povo no Picadeiro Colorido da Lavapés: Com Horácio Rabaça Filho, a escola homenageou o universo circense, com suas cores, alegrias e personagens, estabelecendo um paralelo com a magia do carnaval. Ficou em 11º lugar no Grupo 3-UESP.[22]
- 2015 - Eu vendo, você compra… Na feira tudo se encontra!: Campeã do Grupo 4-UESP com Horácio Rabaça Filho, a escola retomou o tema das feiras populares, celebrando esse espaço de comércio, encontro e cultura. A vitória veio após 15 anos de jejum de títulos.[23]
- 2016 - Danças africanas: Com Horácio Rabaça Filho, a escola celebrou a riqueza e a diversidade das danças de matriz africana, do afoxé ao maracatu, passando pelo samba. Ficou em 6º lugar no Grupo 3-UESP.[24]
- 2017 - Oito décadas de samba...minha Lavapés, orgulho da terra da garoa!: Com Horácio Rabaça Filho, a escola celebrou seus 80 anos de história, reafirmando seu orgulho e sua importância para o samba paulistano. Apesar da data festiva, a escola ficou em 12º lugar no Grupo 3-UESP, sendo rebaixada.[25]
- 2018 - Uma viagem fantástica ao mundo infantil. Lavapés, a pura essência de uma criança: Com Rafael Conde (enredista Ronny Potolski), a escola voltou ao universo infantil, celebrando a pureza, a fantasia e a alegria das crianças. Ficou em 4º lugar no Grupo 4-UESP.[26]
- 2019 - Pernambuco multicultural, a festa de um povo feliz: Com Comissão de Carnaval, a escola homenageou o estado de Pernambuco, sua rica cultura, seu frevo, seu maracatu e suas tradições. Ficou em 11º lugar no Grupo 4-UESP.[27]
- 2020 - O mundo a partir da África e o tambor que faz a gira girar: Campeã do Acesso 2 de Bairros com Comissão de Carnaval, este enredo marcou o início da gestão Ailton Graça. Propunha uma mudança de perspectiva: contar a história do mundo a partir do olhar da África, celebrando o tambor como elemento sagrado e unificador. A vitória trouxe novo ânimo e visibilidade para a escola.[28]
- 2021: Desfiles cancelados devido à pandemia de COVID-19.[29]
- 2022 - Mamãe Oxum – A Deusa do amor, o ventre da humanidade, traz as boas novas na primavera: Com Comissão de Carnaval, a escola homenageou o orixá Oxum, senhora das águas doces, do amor e da prosperidade. O enredo celebrava a fertilidade e a esperança de renovação após o período pandêmico. Ficou em 3º lugar no Acesso 1 de Bairros.[30]
- 2023 - Iemanjá e o encontro das águas: Vice-campeã do Acesso 1 de Bairros com Comissão de Carnaval, a escola homenageou Iemanjá, a grande mãe, rainha do mar. O enredo celebrava o encontro das águas (doces e salgadas) e a união dos povos. Com este resultado, a escola ascendeu ao Grupo Especial de Bairros para 2024.[31]
- 2024 - Oxóssi, o Guardião Popular: Com Amarildo de Mello, a escola homenageou Oxóssi, o orixá da caça, das matas e do sustento, celebrado como guardião da cultura e dos saberes populares. Foi o primeiro desfile da escola no Especial de Bairros, onde obteve 5º lugar.[32]
- 2025 - Xango Aganjú – O Alafin dos olhos de fogo: Com Mauro Xuxa, a escola homenageou Xangô Aganjú, uma das qualidades do orixá da justiça, conhecido por sua imponência e força. O enredo celebrava o fogo transformador e a liderança. A escola obteve 4º lugar no Especial de Bairros.[33]
- 2026 - Candeia em seu Trono é Rei! Luz, Inspiração & Arte Negra na Rua: Com Amarildo de Mello, a escola homenageia os 90 anos de Candeia (Antônio Candeia Filho), ícone da Portela e idealizador do Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombo (Granes Quilombo). O enredo celebra sua luta pela raiz afro-brasileira do samba e sua resistência contra a comercialização e a "higienização" do gênero. A escola terminou na 11ª colocação do Especial de Bairros, sendo rebaixada para o Acesso 1 de Bairros em 2027.[18][21]
Segmentos
editarPresidentes
editar| Nome | Mandato | Ref. |
|---|---|---|
| Deolinda Madre "Madrinha Eunice" | 1937 – 1995 | [2] |
| Rosemeire Marcondes | 1996 – 2019 | [1] |
| Ailton Graça | 2019 – atual | [5] |
Diretores
editarIntérprete
editar| Ano | Nome | Ref. |
|---|---|---|
| 2019 | Tim Cardoso | |
| 2020-2023 | Comissão de Carnaval | [28] |
Comissão de Frente
editar| Ano | Nome | Ref. |
|---|---|---|
| 2012-2015 | Thiago Lopes | |
Casal de Mestre-sala e Porta-bandeira
editar| Ano | Nomes | Ref. |
|---|---|---|
| 2014-2015 | Rogério Babau "Mestre Babau" e Tainá | [23] |
| 2016 | Higor Ferreira e Naiomy Pires | |
| 2017-2019 | Max Mioh e Naira Oliveira | |
| 2020-2025 | Edgar Carobina e Lais Moreira | |
| 2026-atual | 1º casal: Edgar Carobina e Vanessa de Paula Souza 2º casal: Zé Roberto e Deborah de Oliveira Casal mirim: Enzel Patricky e Maria Eduarda Fernandes |
[21] |
Corte de Bateria
editar| Período | Rainha | Ref. |
|---|---|---|
| 2020-2025 | Daniela Santana | |
| 2026-atual | Jack Correia | [18] |
Carnavais
editar| Ano | Colocação | Grupo | Enredo | Carnavalesco | Ref | |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1950 | Campeã | Especial | Baianas | [34] | ||
| 1951 | Campeã | Especial | Pirapora | |||
| 1952 | Campeã | Especial | Tia Ciata | |||
| 1953 | Campeã | Especial | Rio de Janeiro | |||
| 1954 | 3º lugar | Especial | Batalha dos Heróis | |||
| 1955 | 2º lugar | Especial | Princesa Isabel | |||
| 1956 | Campeã | Especial | Folclore | |||
| 1957 | 3º lugar | Especial | Imperatriz Leopoldina | |||
| 1958 | 4º lugar | Especial | Revoluções | |||
| 1959 | 2º lugar | Especial | As Grandes Navegações | |||
| 1960 | 2º lugar | Especial | Descobrimento do Brasil | |||
| 1961 | Campeã | Especial | Festa Popular | |||
| 1962 | 3º lugar | Especial | Nossas Origens | |||
| 1963 | 3º lugar | Especial | Proclamação da República | |||
| 1964 | Campeã | Especial | Chico Rei | |||
| 1965 | 2º lugar | Especial | Raízes do Samba | |||
| 1966 | 3º lugar | Especial | Dom Pedro | |||
| 1967 | 3º lugar | Especial | Cultura Popular | |||
| 1968 | 3º lugar | Especial | São Paulo, Passado, Presente e Futuro | |||
| 1969 | 3º lugar[nota 1] | Especial | São Paulo Antigo e São Paulo Moderno | |||
| 1970 | 4º lugar | Especial | Bahia de todos os deuses | [13] | ||
| 1971 | 7º lugar | Especial | Insurreição Pernambucana | |||
| 1972 | Vice-campeã | Acesso | Independência do Brasil | |||
| 1973 | 4º lugar | Acesso | Bahia de Todo Sempre | |||
| 1974 | 3º lugar | Acesso | Carmem Miranda, a Grande Pequena | |||
| 1975 | 10º lugar | Especial | Brasil em Três Tempos | |||
| 1976 | 7º lugar | Acesso | Um Século de Estadão | |||
| 1977 | 7º lugar | Acesso | 40 Anos de Glórias | |||
| 1978 | 12º lugar | Acesso | A Valsa do Imperador | |||
| 1979 | 12º lugar | 1-UESP | Bahia e Suas Tradições | |||
| 1980 | 6º lugar | 2-UESP | São Paulo se Diverte | |||
| 1981 | 7º lugar | 2-UESP | Dias de Glórias de Carmem Miranda | |||
| 1982 | 3º lugar | Vaga Aberta | Marquesa de Santos – Domitila de Castro, a Bela Dama Paulista | |||
| 1983 | 7º lugar | Vaga Aberta | Saudoso Inocêncio Tobias | |||
| 1984 | 11º lugar | Vaga Aberta | São Paulo Se Diverte | |||
| Não desfilou entre 1985 e 1986 | ||||||
| 1987 | 9º lugar | Grupo 3 | Lavapés, 50 Anos de Glórias | |||
| 1988 | 8º lugar | Grupo 3 | Carmem Miranda | |||
| 1989 | 9º lugar | Grupo 3 | Bahia de Todos os Santos | |||
| 1990 | 6º lugar | Grupo 4 | Brasil Mestiço | |||
| 1991 | 7º lugar | Grupo 4 | Magia de Carnaval | |||
| 1992 | 9º lugar | Seleção B | O Samba Pede Passagem | |||
| 1993 | 8º lugar | Seleção B | Trindade do Samba – 55 Anos de Glória | |||
| 1994 | 4º lugar | Seleção A | Brasil Mestiço | Horacio Rabaça Filho | ||
| 1995 | Desclassificada | Seleção A | E Porque Nós Somos Uma Tradição? | |||
| 1996 | 4º lugar | Seleção B | Os Sete Trabalhos do Hércules Juarez da Cruz | |||
| 1997 | 4º lugar | Seleção B | TV... Alegria de Criança | |||
| 1998 | 5º lugar | 3-Sul | No Esplendor da Folia a Lavapés dá um Alerta à Ecologia | |||
| 1999 | 2º lugar | 3-Leste 2 | É Chegada a Hora... A Virada é Agora! | |||
| 2000 | Campeã | 3-UESP | Da Pena de Caminha... Nasce o Brasil | [34] | ||
| 2001 | 4º lugar | 2-UESP | A Viagem de Helena de Pelô a Pelô | Marcelo Luís da Silva e Paulo Fornias | ||
| 2002 | 4º lugar | 2-UESP | De Vermelho e Branco Eu Vou... Tua Cor Me Conquistou | Marcelo Luís da Silva e Paulo Fornias | ||
| 2003 | 5º lugar | 2-UESP | Da Medieval à Atual, Eu Vendo, Você Compra, Na Feira Tudo se Encontra | Marcelo Luís da Silva e Paulo Fornias | ||
| 2004 | 3º lugar | 2-UESP | Boa Noite São Paulo – Luzes, Câmera, Ação! | |||
| 2005 | 7º lugar | 2-UESP | Do Big Bang ao surgimento dos quatro elementos: água, terra, fogo e ar | Luiz Ricardo | ||
| 2006 | 10º lugar | 2-UESP | Omi – Água Berço da Civilização Yorubá | Renato Lucena | ||
| 2007 | 4º lugar | 3-UESP | Para Plantar, Colher e Comer | Renato Lucena | [35] | |
| 2008 | 14º lugar | 2-UESP | Ergeu com Trabalho a Nova Terra, com Coração a Nova Nação – O Negro | Renato Lucena e Horácio Rabaça | ||
| 2009 | 10º lugar | 3-UESP | Na Lavapés criança é brincadeira séria | |||
| 2010 | 6º lugar | 3-UESP | 100 Anos de Carmen Miranda na Lavapés de Madrinha Eunice | Bill de Oliveira | ||
| 2011 | 11º lugar | 3-UESP | Imortal é quem te conquistou | |||
| 2012 | 6º lugar | 4-UESP | Terra`, um presente para preservar | Genésio Cruz e Renato Lucena | ||
| 2013 | Vice-campeã | 4-UESP | Datas que marcam, vem comemorar com a Lavapés! | Genésio Cruz | [36] | |
| 2014 | 11º lugar | 3-UESP | Circo, Alegria do Povo no Picadeiro Colorido da Lavapés | Horácio Rabaça Filho | [22] | |
| 2015 | Campeã | 4-UESP | Eu vendo, você compra… Na feira tudo se encontra! | Horácio Rabaça Filho | [23] | |
| 2016 | 6º lugar | 3-UESP | Danças africanas | Horácio Rabaça Filho | [24] | |
| 2017 | 12º lugar | 3-UESP | Oito décadas de samba...minha Lavapés, orgulho da terra da garoa! | Horácio Rabaça Filho | [25] | |
| 2018 | 4º lugar | 4-UESP | Uma viagem fantástica ao mundo infantil. Lavapés, a pura essência de uma criança. | Rafael Conde | [26] | |
| 2019 | 11º lugar | 4-UESP | Pernambuco multicultural, a festa de um povo feliz | Comissão de Carnaval | [27] | |
| 2020 | Campeã | Acesso 2 de Bairros | O mundo a partir da África e o tambor que faz a gira girar | Comissão de Carnaval | [28] | |
| 2021 | Desfiles cancelados devido à pandemia de COVID-19 | [29] | ||||
| 2022 | 3º lugar | Acesso 1 de Bairros | Mamãe Oxum – A Deusa do amor, o ventre da humanidade, traz as boas novas na primavera | Comissão de Carnaval | [30] | |
| 2023 | Vice-campeã | Acesso 1 de Bairros | Iemanjá e o encontro das águas | Comissão de Carnaval | [31] | |
| 2024 | 5º lugar | Especial de Bairros | Oxossi, o Guardião Popular | Amarildo de Mello | [32] | |
| 2025 | 4º lugar | Especial de Bairros | Xango Aganjú – O Alafin dos olhos de fogo | Mauro Xuxa | [33] | |
| 2026 | 11º lugar | Especial de Bairros | Candeia em seu Trono é Rei! Luz, Inspiração & Arte Negra na Rua | Amarildo de Mello | [18][21][nota 2] | |
| 2027 | Acesso 1 de Bairros | |||||
Títulos
editar| Títulos da Lavapés Pirata Negro | |||
|---|---|---|---|
| Divisão | Total | Anos | |
| Grupo Especial | 7 | 1950, 1951, 1952, 1953, 1956, 1961, 1964 | |
| Grupo de Acesso (antigo segundo grupo) | 1 | 1972 | |
| Grupo 3-UESP / Acesso 2 de Bairros | 2 | 2000, 2020 | |
| Grupo 4-UESP | 1 | 2015 | |
Premiações
editarAo longo de sua trajetória recente, a Lavapés recebeu diversas premiações e reconhecimentos da crítica especializada e da imprensa. Abaixo, algumas das principais:
Troféu Nota 10 (Diário de São Paulo)
editar- 2020: Melhor Samba-Enredo (Acesso 2 de Bairros)
Prêmio Melhor do Acesso
editarTroféu Gente de Destaque
editar- 2023: Personalidade do Ano (Ailton Graça, pela gestão à frente da Lavapés)
Outros Reconhecimentos
editarVer também
editarNotas
- ↑ Empatada com Acadêmicos do Tatuapé.
- ↑ Rebaixada ao Acesso 1 de Bairros para 2027.
Referências
- 1 2 3 4 5 6 7 8 «Escola de Samba mais antiga da capital recebe homenagem». Câmara Municipal de São Paulo. 26 de outubro de 2017. Consultado em 19 de fevereiro de 2026
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 «Madrinha Eunice, fundadora da primeira escola de samba de SP». Primeiros Negros. 14 de março de 2024. Consultado em 19 de fevereiro de 2026
- 1 2 3 «SÃO PAULO ESCOLA DE SAMBA LAVAPÉS PIRATA NEGRO É DECLARADA PATRIMÔNIO HISTÓRICO CULTURAL IMATERIAL DE SÃO PAULO». Carnaval em Foco. 17 de dezembro de 2025. Consultado em 19 de fevereiro de 2026
- 1 2 3 «Ator Ailton Graça assume a presidência da Lavapés, primeira escola de samba de São Paulo». G1. 2 de dezembro de 2019. Consultado em 19 de fevereiro de 2026
- 1 2 3 4 5 6 7 8 Marcus Vinicius Chagas Oliveira (2020). «Donas, Bambas, Batuques e a Escola de Samba do Lavapés» (PDF). Universidade de São Paulo. Consultado em 19 de fevereiro de 2026
- 1 2 3 4 5 «Aqui nasceu a mais longeva escola de samba de São Paulo». São Paulo Antiga. 6 de agosto de 2025. Consultado em 19 de fevereiro de 2026
- 1 2 Gleuson Pinheiro Silva (2020). «Raça, cultura e disputa territorial: o caso do Príncipe Negro da cidade Tiradentes». Universidade de São Paulo. Consultado em 19 de fevereiro de 2026
- 1 2 «Outros carnavais» (PDF). Universidade Estadual de Campinas. 16–29 de julho de 2007. Consultado em 19 de fevereiro de 2026
- ↑ «Conheça a história das escolas de Samba de São Paulo». Memoria.ebc. Consultado em 29 de maio de 2023
- ↑ Renato Gerdisso di Castro da Almeida (março de 2025). «Vou botar meu bloco na rua: O carnaval no centro de São Paulo» (PDF). Casa da Boia Cultural. Consultado em 19 de fevereiro de 2026
- ↑ «Enfrentando racismo, ela fundou a escola de samba mais antiga de São Paulo». UOL. Consultado em 29 de maio de 2023
- 1 2 «Samba de resistência: A Lavapés, mais antiga escola em atividade, desfila no grupo 3 e tenta reviver os tempos de campeã em SP». Folha de S.Paulo. Consultado em 29 de maio de 2023
- ↑ «Aos 78 anos, escola de samba do Glicério busca se reinventar». Mural - Folha de S.Paulo. 15 de fevereiro de 2015. Consultado em 19 de fevereiro de 2026
- ↑ «Carnaval 2007 - Resultados». SASP. Consultado em 29 de maio de 2023
- ↑ «São Paulo tem seu Marco Zero do Samba». Estadão.com. Consultado em 29 de maio de 2023
- ↑ «Carnaval 2015 - Resultados». SASP. Consultado em 29 de maio de 2023
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 «Conheça a Lavapés, mais antiga escola de samba em atividade da cidade». Veja SP. 13 de fevereiro de 2026. Consultado em 19 de fevereiro de 2026
- ↑ «Escola de samba comandada por Ailton Graça é campeã no Carnaval de São Paulo». Revista Quem. Consultado em 29 de maio de 2023
- ↑ «Projeto de Lei nº 867/2024» (PDF). Assembleia Legislativa de São Paulo. Dezembro de 2024. Consultado em 19 de fevereiro de 2026
- 1 2 3 4 «Lavapés Pirata Negro consagra o pavilhão e o novo quadrao de casais de mestre sala e porta bandeira». SASP. Fevereiro de 2026. Consultado em 19 de fevereiro de 2026
- 1 2 «Carnaval 2014». SASP
- 1 2 3 4 «Carnaval 2015». SASP
- 1 2 3 «Carnaval 2016». SASP
- 1 2 «Carnaval 2017 - Resultados». SASP
- 1 2 «Grupo 4 - Carnaval 2018». UESP
- 1 2 «Carnaval 2019». SASP
- 1 2 3 «Central do Carnaval 2020». SASP
- 1 2 «Após adiar carnaval em 2021, Prefeitura de SP anuncia cancelamento da festa neste ano». G1. 12 de fevereiro de 2021
- 1 2 «Confira o resultado final do carnaval 2022». SASP
- 1 2 «Carnaval 2023 - Resultados». SASP
- 1 2 «Agremiações 2024 - Especial de Bairros». UESP
- 1 2 «Lavapés - Carnaval 2025». SASP
- ↑ «Carnaval 2007 - Resultados». SASP
- ↑ «Carnaval 2013 - Resultados». SASP
