Grande Assembléia
A Grande Assembleia (em hebraico: כְּנֶסֶת הַגְּדוֹלָה, Knesset HaGedolah, também traduzida como Grande Sinagoga ou Grande Sínodo) foi, segundo a tradição judaica, um conselho composto por 120 escribas, sábios e profetas. Acredita-se que a instituição tenha atuado no início do período do Segundo Templo, estabelecendo-se após o retorno dos judeus do Cativeiro na Babilônia.[1]
De acordo com a literatura rabínica, a Grande Assembleia teria sido convocada inicialmente por Esdras e encerrou suas atividades no período de Simão, o Justo (Shimon HaTzaddik), que é frequentemente descrito como um de seus últimos membros remanescentes. Entre os integrantes citados pelas fontes tradicionais estão profetas como Ageu, Zacarias e Malaquias, além de líderes como Neemias e Mardoqueu.[2]
A assembleia representa um ponto de transição crítico na história judaica, servindo como uma ponte entre a era do profetismo bíblico e o início do período rabínico e dos Tanaítas. A instituição centralizou a liderança espiritual e intelectual do povo em um momento de reconstrução nacional e religiosa.[3]
A tradição credita à Grande Assembleia a formulação de diversas práticas fundamentais para o judaísmo rabínico. Entre suas realizações mais notáveis estariam a canonização e organização final dos livros da Bíblia Hebraica (o Tanakh), e a estruturação da liturgia judaica, incluindo a composição da oração central de dezoito bênçãos conhecida como Amidá.[4]
Eles também teriam sido responsáveis pela instituição da festividade de Purim e por estabelecer diversas bênçãos do cotidiano, orações de santificação (como o Kidush) e normas para a leitura pública da Torá. O objetivo principal do grupo era garantir a continuidade e a observância da lei judaica diante das mudanças sociais e culturais da época.[5]
Embora a historicidade exata da assembleia, sua estrutura e a duração de sua existência sejam objeto de debate entre historiadores modernos, a "Grande Assembleia" permanece como um conceito fundamental de autoridade teológica e jurídica na formulação da Halacá clássica.[6]
Referências
- ↑ Encyclopaedia Judaica, verbete “Synagogue, The Great”, 2ª ed., Macmillan Reference USA, 2007.
- ↑ Louis Ginzberg, The Legends of the Jews, Jewish Publication Society, 1909.
- ↑ George Foot Moore, Judaism in the First Centuries of the Christian Era: The Age of the Tannaim, Harvard University Press, 1927.
- ↑ Ismar Elbogen, Jewish Liturgy: A Comprehensive History, Jewish Publication Society, 1993.
- ↑ Lee I. Levine, The Ancient Synagogue: The First Thousand Years, Yale University Press, 2000.
- ↑ Lawrence H. Schiffman, From Text to Tradition: A History of Second Temple and Rabbinic Judaism, Ktav Publishing House, 1991.