Al Sharpton

ministro batista americano, ativista dos direitos civis e apresentador de talk show

Alfred Charles "Al" Sharpton, Jr. (Nova York, 3 de outubro de 1954) é um ministro batista, ativista dos direitos civis e apresentador de televisão norte-americano.[1][2] Em 2004, foi candidato à nomeação democrata para a eleição presidencial norte-americana. Figura popular na cultura pop dos Estados Unidos, Sharpton apresenta o talk show de rádio Keepin' It Real[3] e faz aparições regulares como convidado especial na CNN, na MSNBC e na Fox News, em programas como The O'Reilly Factor,[4][5][6] apresentado por Bill O'Reilly. Entre 1973 e 1980, Sharpton trabalhou como gerente de turnê de James Brown.[7]

Al Sharpton
Sharpton em 2025
Nome completoAlfred Charles "Al" Sharpton, Jr.
Nascimento
3 de outubro de 1954 (71 anos)

NacionalidadeEstados Unidos norte-americano
Ocupação
Período de atividade1969–presente

Ideologia política

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Sharpton durante um protesto no Brooklyn em março de 1989.
Sharpton participando da Convenção Nacional Democrata de 2008.
Sharpton observa o presidente Barack Obama assinar uma ordem executiva em 26 de julho de 2012.

Em setembro de 2007, Sharpton foi questionado se considerava importante que os EUA tivessem um presidente negro. Ele respondeu: "Seria um grande momento, desde que o candidato negro apoiasse os interesses que inevitavelmente ajudariam nosso povo. Muitos dos meus amigos votaram em Clarence Thomas e se arrependem até hoje. Não presumo que, só porque alguém tem a minha cor, essa pessoa seja do meu tipo. Mas estou começando a simpatizar com Obama, embora ainda não tenha chegado lá".[8]

Sharpton manifestou-se contra a crueldade para com os animais num vídeo gravado para a organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais.[9] Sharpton é um defensor da igualdade de gênero e do casamento entre pessoas do mesmo sexo.[10]

Vida pessoal

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Casamento e filhos

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Sharpton, James Brown e Lee Atwater em 1981.

Em 1971, durante uma turnê com James Brown, Sharpton conheceu sua futura esposa, Kathy Jordan, que era backing vocal. Sharpton e Jordan se casaram em 1980. O casal se separou em 2004.[11] Eles têm duas filhas, Ashley e Dominique.[12] Em julho de 2013, o New York Daily News noticiou que Sharpton, ainda casado legalmente com sua segunda esposa (Kathy Jordan), agora tinha uma autoproclamada "namorada", Aisha McShaw, de 35 anos.[13]

Tentativa de assassinato

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O pátio da escola PS 205 no Brooklyn, por volta de 1991.

Em 12 de janeiro de 1991, Sharpton escapou de ferimentos graves quando foi esfaqueado no peito no pátio da escola PS 205[14] por Michael Riccardi enquanto Sharpton se preparava para liderar um protesto em Bensonhurst, no Brooklyn. O agressor embriagado foi detido pelos auxiliares de Sharpton e entregue à polícia, que estava presente para o protesto planejado.

Em 1992, Riccardi foi condenado por agressão de primeiro grau. Sharpton pediu clemência ao juiz ao sentenciar Riccardi. O juiz sentenciou Riccardi a cinco a 15 anos de prisão, e ele cumpriu dez anos de prisão sendo libertado em liberdade condicional em 8 de janeiro de 2001.[15]

Sharpton, embora tenha perdoado seu agressor e implorado por clemência em seu nome, entrou com uma ação contra a cidade de Nova York alegando que os muitos policiais presentes não o protegeram de seu agressor.[16]

Legado e reputação

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Sharpton em 2015

Os apoiadores de Sharpton elogiam "sua capacidade e disposição para desafiar a estrutura de poder que é vista como a causa de seu sofrimento" e o consideram "um homem que está disposto a dizer as coisas como elas são". O ex -prefeito da cidade de Nova Iorque, Ed Koch, outrora adversário, disse que Sharpton merece o respeito que desfruta entre os afro-americanos: "Ele está disposto a ir para a cadeia por eles e está lá quando eles precisam dele".[17] O presidente Barack Obama disse que Sharpton é "a voz dos sem voz e um defensor dos oprimidos". Uma pesquisa da Zogby Analytics de 2013 constatou que um quarto dos afro-americanos disse que Sharpton fala por eles.[18]

Controvérsias

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Financiamento da indústria do tabaco

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Em 2021, Sharpton foi criticado por liderar uma reação da indústria do tabaco contra uma proposta de proibição da venda de cigarros mentolados, usando argumentos "cinicamente manipuladores", enquanto sua Rede Nacional de Ação aceitava financiamento de empresas de tabaco.[19]

Comentários sobre os mórmons

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Em 2007, Sharpton foi acusado de intolerância por comentários que fez em um debate com Christopher Hitchens em 7 de maio de 2007, a respeito do candidato presidencial Mitt Romney e sua religião, o mormonismo.

Quanto ao mórmon que concorre ao cargo, aqueles que realmente acreditam em Deus o derrotarão de qualquer maneira, então não se preocupe com isso; essa é uma situação temporária.[20]

Comentários racistas e homofóbicos

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Em 13 de fevereiro de 1994, Sharpton disse a uma plateia de estudantes da Universidade Kean, em Nova Jersey: "Os brancos estavam nas cavernas enquanto nós construíamos impérios", disse ele. "Construímos pirâmides antes mesmo de Donald Trump saber o que era arquitetura. Ensinávamos filosofia, astrologia e matemática antes de Sócrates e aqueles gregos homofóbicos sequer pensarem nisso." Sharpton defendeu seus comentários dizendo que o termo "homo" não era homofóbico; no entanto, acrescentou que não usa mais o termo.[21]

Trabalho como informante do FBI

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Sharpton disse em 1988 que informou o governo para conter o fluxo de crack para bairros negros. Ele negou ter denunciado líderes dos direitos civis.[22][23][24]

Questões tributárias

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Segundo o The New York Times, Sharpton e suas empresas com fins lucrativos deviam US$ 4,5 milhões em impostos estaduais e federais em novembro de 2014.[25]

Aparições na televisão e cinema

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Sharpton em uma sessão de autógrafos no Harlem, 2008.

Sharpton fez participações especiais nos filmes Cold Feet, Bamboozled, Mr. Deeds e Malcolm X. Ele também apareceu em episódios das séries de televisão New York Undercover, Law & Order: Special Victims Unit, Girlfriends, My Wife and Kids, Rescue Me, Boston Legal e Empire.[26] Ele apresentou o reality show original do Spike TV, I Hate My Job, e um episódio do Saturday Night Live. Ele foi convidado do Weekends at the DL no Comedy Central e apareceu em comerciais de televisão para a campanha de Fernando Ferrer para a eleição para prefeito da cidade de Nova York em 2005.

Livros

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Sharpton escreveu ou coescreveu quatro livros: Go and Tell Pharaoh com Anthony Walton, Al on America com Karen Hunter, The Rejected Stone: Al Sharpton and the Path to American Leadership com Nick Chiles e Rise Up: Confronting a Country at the Crossroads.[27]

Referências

  1. «National Action Network – About Us». Consultado em 18 de dezembro de 2009. Arquivado do original em 29 de maio de 2009
  2. «Fox News – Bio: Rev. Al Sharpton». 27 de agosto de 2003. Consultado em 18 de dezembro de 2009. Arquivado do original em 22 de maio de 2013
  3. «Radio One – Rev. Al Sharpton, Author Michael Eric Dyson and Atlanta's '2 Live Stews' Go National with News/Talk Network». Consultado em 18 de dezembro de 2009. Arquivado do original em 15 de julho de 2009
  4. «Al Sharpton On Ties To Sen. Thurmond». Fox News. 27 de fevereiro de 2007. Consultado em 12 de abril de 2007. Arquivado do original em 23 de maio de 2007
  5. «Al Sharpton Talks with Bill O'Reilly Al Sharpton também é um pastor e teve um grande impacto no funeral de Michael Jackson sendo o único ali com coerência ao o defender dizendo a todos. "onde estavam aqueles que diziam eu te amo Michael no momento em que ele mais precisou. "». The O'Reilly Factor. 13 de abril de 2005. Consultado em 18 de dezembro de 2009. Arquivado do original em 29 de abril de 2007
  6. «Bill O'Reilly Interview Al Sharpton». Ifilm. 2 de fevereiro de 2006. Consultado em 12 de abril de 2007. Arquivado do original em 13 de outubro de 2007
  7. «Who Is Al Sharpton?». ABC News. New York City: American Broadcasting Company. Consultado em 22 de abril de 2012
  8. Murphy, Keith (1 de agosto de 2007). «Al Sharpton on Barack Obama». Vibe. Consultado em 15 de janeiro de 2008. Cópia arquivada em 2 de janeiro de 2008
  9. Rev. Al Sharpton Preaches Compassion for Chickens Arquivado em 2005-10-23 no Wayback Machine, Kentuckyfriedcruelty.com, acessado em 7 de abril de 2007
  10. Sharpton Chides Black Churches Over Homophobia, Gay Marriage Arquivado em 2009-02-28 no Wayback Machine, Dyana Bagby, Houston Voice, 24 de janeiro de 2006
  11. «Rev. Al Sharpton And Wife Kathy Renew Their Wedding Vows». Jet. 17 de janeiro de 2001. Consultado em 19 de junho de 2007
  12. «Campaign 2004: Alfred Sharpton». USA Today. 20 de maio de 2005. Consultado em 19 de junho de 2007
  13. «After yearslong separation, Sharpton files for divorce». AP News (em inglês). 12 de fevereiro de 2021. Consultado em 12 de julho de 2025
  14. McFadden, Robert D. (13 de janeiro de 1991). «Sharpton Is Stabbed at Bensonhurst Protest». The New York Times
  15. Daniels, Lee A. "Attacker of Sharpton Is Sentenced". The New York Times, 17 de março de 1992.
  16. Lueck, Thomas. "City Settles Sharpton Suit Over Stabbing". The New York Times, 9 de dezembro de 2003.
  17. Taylor, Clarence (2002). Black Religious Intellectuals: The Fight for Equality from Jim Crow to the 21st Century. London, England: Routledge. p. 127. ISBN 0-415-93326-9
  18. Caruso, David B. (9 de maio de 2008). «Records show Sharpton owes overdue taxes, other penalties». USA Today. McLean, Virginia. Consultado em 15 de abril de 2012
  19. STAT News, "On menthol cigarettes, social justice theory shouldn’t trump science", 26 de julho de 2021
  20. Sharpton accused of 'bigotry' after remark on faith Arquivado em 2007-05-10 no Wayback Machine, CNN, 9 de maio de 2007.
  21. Moynihan, Daniel Patrick (1996), Miles to Go: A Personal History of Social Policy, ISBN 0674574400, Harvard University Press, p. 23
  22. Farber, M. A. (21 de janeiro de 1988). «Protest Figure Reported To Be a U.S. Informant». The New York Times. Consultado em 21 de julho de 2013
  23. Farber, M. A. (24 de fevereiro de 1988). «Sharpton: Champion or Opportunist?». The New York Times. Consultado em 21 de julho de 2013
  24. Drury, Bob; Kessler, Robert E.; McAlary, Mike (20 de janeiro de 1988). «Minister and Informant». Newsday. Consultado em 12 de março de 2014
  25. Buettner, Russ (18 de novembro de 2014). «Questions About Sharpton's Finances Accompany His Rise in Influence». The New York Times. Consultado em 12 de dezembro de 2014
  26. «Al Shaprton». IMDb. Consultado em 12 de junho de 2012
  27. «Books by Al Sharpton». Amazon. Consultado em 8 de novembro de 2015

Ligações externas

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