Abstract
Analisa a relação entre a Doutrina do Duplo Efeito (DDE), de raiz tomista, e a filosofia da ação desenvolvida por G.E.M. Anscombe em sua obra Intenção (1957). Partindo da crítica anscombiana ao consequencialismo, argumenta-se que uma aplicação rigorosa da DDE exige a compreensão da ação intencional tal como descrita por Anscombe. Ressalta que a distinção entre efeitos intencionados e efeitos apenas previstos é fundamental para a avaliação moral das ações, especialmente em contextos que envolvem decisões éticas complexas. Para ilustrar essa problemática, discute-se o caso de Adolf Eichmann, a partir da análise de Hannah Arendt, identificando na linguagem moralmente neutra do réu um exemplo de descrição da ação que mascara sua responsabilidade moral. Conclui-se que, sem uma descrição que considera as circunstâncias da ação, a intenção pode ser manipulada ou dissimulada, comprometendo a avaliação ética e obscurecendo os limites entre o que é permitido e o que é moralmente condenável.