Abstract
Partindo do conceito de governamentalidade de Michel Foucault, a presente reflexão visa analisar a evolução do poder no Ocidente para uma forma de oikonomia (governo dos homens ou oikonomia da vida). Em seguida, com base nas reflexões de Achille Mbembe, o artigo examina em que medida é possível situar, nesse contexto, uma espécie de necroeconomia da vida/necropolítica algorítmica, seus fundamentos, sua estruturação e seus desdobramentos enquanto genealogia da governamentalidade da vida, com foco na estreita relação entre a vida e o necropoder na era contemporânea, entendida como brutalismo. O ponto de partida é o reposicionamento da noção de biopolítica como disposição das coisas, buscando demonstrar de que forma a estrutura política ocidental, ao longo dos séculos, pode ser compreendida sob o paradigma do necropoder, da necroeconomia da vida, que circunscreve os processos de governamentalização da vida em escala planetária, culminando em uma crescente algoritmização da vida.