Metamorfoses negras: desfazendo sortilégios visuais do mundo ocidental

Odeere 9 (2):53-71 (2024)
  Copy   BIBTEX

Abstract

Reflete-se sobre visões hegemônicas que, desde as primeiras elaborações imaginárias de um possível mundo ocidental no quarto século a.C., distorceram a imagem de povos africanos e sustentaram processos de colonização sob essa égide de pensamento.. Essas visões são fábulas, correspondendo a efabulações sobre a(s) África(s), africanos, descendentes. Existe um mundo fascinado há milênios por outro. Esse mundo fascinado e imaginado, o Ocidente, explorou e assumiu a narrativa sobre vários outros mundos, esmaecidos, rasurados, reinterpretados pela memória europeia, seja por traçados territoriais ou da narrativa histórica. O Ocidental se contrapôs, assim, ao Oriental, também esmaecido. O que seriam Oriente e Ocidente? Assim como não existe raça, mas existe racismo, talvez não existam Ocidentes e Orientes, mas Ocidentalismos e Orientalismos. Cabe perguntar: sob esses imaginários, onde fica a África(s), que se situa e se perde entre os “ismos” elaborados, em lugar avesso à ideia de civilização, de não-Ocidente, de não-Oriente, de “um não-lugar”? Essa África imaginada enfeitiça o Ocidente e ao mesmo tempo é por ele metamorfoseada. O romance O Asno de Ouro, do africano Apuleio (Século II d. C.), servirá de pretexto para a reflexão sobre essa metamorfose.

Other Versions

No versions found

Links

PhilArchive

External links

Setup an account with your affiliations in order to access resources via your University's proxy server

Through your library

Similar books and articles

Analytics

Added to PP
2024-09-08

Downloads
66 (#908,972)

6 months
20 (#523,984)

Historical graph of downloads
How can I increase my downloads?

Citations of this work

No citations found.

Add more citations

References found in this work

P. - 2008 - In Michael Inwood, A Hegel Dictionary. Wiley-Blackwell. pp. 212-237.

Add more references