Abstract
A sociedade contemporânea compreende o mundo principalmente a partir da visão e constitui seus discursos repletos de metáforas visuais. Por outro lado, a violência traumática, por sua complexidade e radicalidade, destrói as estruturas tradicionais do pensamento e da produção de sentidos, o que exige formas alternativas de transmissão e comunicação dos testemunhos, em seus silêncios e suas fraturas. A partir da dupla potência articuladora do som de presença/não presença e de uma sensibilidade sônica, este artigo tem como escopo refletir sobre a escuta na obra Sonidos de La Muerte da artista mexicana Teresa Margolles, a partir das relações e tensões entre voz, som, silêncio, ruído, testemunho, violência e feminino.