Abstract
Apesar de sua relevância, as análises biológicas da mente e do comportamento humanos raramente são abordadas na educação geral. Essa omissão geralmente se deve ao receio de que a introdução dessas perspectivas possa, inadvertidamente, promover visões biologicistas sobre os assuntos humanos. Historicamente, a Biologia foi frequentemente utilizada para respaldar agendas ideológicas, contribuindo para a legitimação de desigualdades sociais. Em resposta a tais usos, muitas abordagens educacionais adotaram marcos exclusivamente socioculturais, igualmente reducionistas em seu escopo explicativo. Em oposição a esses dois extremos, defendemos a necessidade de uma abordagem mais matizada e integradora, que combine contribuições da Biologia e das ciências sociais para uma compreensão mais profunda dos fenômenos humanos. Considerando a ampla presença de discursos biologicistas nos meios de comunicação e na cultura popular, argumentamos que os currículos escolares não devem evitar esses temas. Ao contrário, os estudantes precisam de ferramentas conceituais para analisar criticamente tais discursos. No entanto, a inclusão de perspectivas biológicas no ensino deve ser orientada por estratégias pedagógicas bem fundamentadas, de modo a evitar a reprodução de interpretações deterministas ou essencialistas. Este artigo enfoca uma dessas estratégias: a necessidade de abordar a chamada falácia naturalista e erros de raciocínio relacionados. Analisamos os fundamentos conceituais desses erros, questionamos a tese — frequentemente aceita sem exame crítico — de que os domínios normativo e fático são totalmente independentes e exploramos as implicações educacionais desse debate. Nosso objetivo é contribuir para uma educação biológica que fomente o desenvolvimento de uma cidadania crítica, reflexiva e eticamente consciente.