Abstract
O presente artigo analisa a interculturalidade do mundo e da humanidade como dimensão constitutiva do processo histórico, em contraposição às tendências de homogeneização promovidas pelo projeto civilizatório hegemônico contemporâneo. Parte-se da compreensão de que a pluralidade dos mundos de vida constitui fundamento para uma crítica ao globalismo e à monocultura digital. O objetivo do trabalho é examinar as implicações dessa perspectiva para a reconfiguração da filosofia e de sua prática de ensino. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa teórico-bibliográfica, de abordagem hermenêutico-crítica, ancorada na análise conceitual da filosofia intercultural de Raúl Fornet-Betancourt. Os resultados evidenciam a necessidade de uma metamorfose da filosofia, que supere a tradição exegética centrada em sistemas e textos, assumindo a escuta, o diálogo e a abertura aos mundos de vida como fundamentos epistemológicos. O texto organiza-se em três eixos: a defesa da pluralidade dos mundos como universos linguísticos, a crítica ao ocultamento dessa diversidade por meio da racionalidade técnico-digital e a problematização do sentido contemporâneo do ensino da filosofia. Conclui-se que a adoção de uma interculturalidade intensa possibilita à filosofia e à educação a criação de espaços de convivência plural, contribuindo para o enfrentamento das desigualdades e para a afirmação da diversidade humana.