Abstract
O presente artigo, recorte de uma investigação mais vasta, centra-se na problemática da promoção e do desenvolvimento das competências do modo oral na escola. Esta pesquisa foi respaldada em estudos que se debruçam sobre a centralidade da oralidade na educação pré-escolar e no 1.º ciclo do ensino básico (1.º CEB), sobre o conceito e as dimensões da competência comunicativa oral, e sobre os princípios metodológicos e as estratégias para o ensino explícito e a avaliação da oralidade. O estudo apresentava dois objetivos específicos que orientam as análises e as reflexões críticas: identificar as representações dos educadores de infância e dos professores do 1.º CEB sobre o papel da oralidade no currículo; e conhecer as práticas pedagógicas utilizadas em sala para promover o desenvolvimento da oralidade nas crianças. Os participantes do estudo foram uma educadora de infância e uma professora do 1.º CEB. A metodologia privilegiada foi a pesquisa exploratória e como instrumento de recolha de dados elegeu-se a entrevista semiestruturada. As entrevistas foram objeto de uma análise de conteúdo, revelando-se várias categorias, que emergiram da análise dos dados das mesmas. Os resultados apontaram para uma presença da oralidade nos currículos, mas a falta de um trabalho intencional sobre a oralidade em sala. Para este facto, contribui também uma falta de formação mais estruturada na área, assinalada pelas docentes. Os maiores desafios encontrados prendem-se com a necessidade de uma visão da oralidade como prática social, cultural e relacional, sendo o papel da escola e da família fundamental para a concretização deste desígnio.