Abstract
Neste trabalho discutimos como a consolidação do neoliberalismo se fez acompanhar por uma noção de liberdade associada ao individualismo e ao auto desempenho, provocando disrupturas significativas na constituição da subjetividade. Para tanto, analisamos como o neoliberalismo encontra-se por trás do estágio atual de “personalização” do eu e das relações, no qual as relações sociais são marcadas pela flexibilização, pela expressão dos desejos e pelo hedonismo. Por fim, buscamos revelar as “armadilhas” dessa nova condição para os indivíduos e a coletividade, bem como demonstrar como a ideia de liberdade neoliberal, tratada em termos exclusivamente individualistas e econômicos, como o princípio máximo a ser resguardado, acabou por se transformar em uma forma inédita de coerção e de gestão do sofrimento psíquico.