Abstract
Meu objetivo neste ensaio é contender pelo lugar da filosofia no Brasil contemporâneo. Atualmente, muito se tem discutido acerca dos problemas de nossa filosofia. Vários autores têm argumentado que nosso ensino e pesquisa em filosofia se resumiriam tão somente à história da filosofia e por isso careceria de originalidade. Ademais, sucessivos governos têm atacado a filosofia, diminuindo – quando não extinguindo – a carga horária da disciplina de filosofia na educação básica e procurando cortar investimentos para a pesquisa em filosofia nas pós-graduações. Parece inegável que a conjuntura atual cria sintomas de uma crise, a qual desloca a filosofia no Brasil de um lugar que lhe seja próprio. Com o objetivo de refletir a respeito desses problemas, proponho dois caminhos neste ensaio, um negativo e um positivo. Primeiramente, partirei do diagnóstico a respeito da falta de originalidade e autonomia da filosofia praticada no Brasil, ratificando-o. No entanto, a despeito de tais observações pessimistas, defenderei que podemos recolocar a filosofia como um campo de reflexão autônomo e ressaltar a sua imprescindibilidade diante das ciências, ainda que a tornemos cientificamente orientada enquanto uma propedêutica para a educação científica.