Abstract
A proposição por Hans Jonas de uma ética da responsabilidade implica a simultânea rejeição da noção moderna de progresso e a retomada de uma forma de “especulação metafísica” que ajude os humanos em sua busca por um padrão objetivo de valor. Examinando cuidadosamente a biologia filosófica de Jonas no The Phenomenon of Life e Mortality and Morality, este artigo mostra como o pensamento de Jonas sobre juízos de valor se apoia em sua crítica do progresso e da ciência. A ética do perfeccionismo e do progresso, mostra Jonas, conduz a uma dificuldade na qual a mente moderna tem que navegar entre os perigos presentes nas esperanças hubrísticas do progresso tecnológico e o niilismo que ele encontra no pensamento de Martin Heidegger. A biologia filosófica de Jonas serve como uma crítica dessas posições que possibilita uma orientação alternativa em relação à natureza – uma que funda não só a ética da responsabilidade, mas a atividade especificamente humana da reflexão. A crítica do progresso serve, assim, como uma propedêutica para a ética da responsabilidade e a recuperaão de uma imagem do homem como o animal reflexivo. Tal recuperação da especulação metafísica frente aos dogmas das ciências físicas ajuda a encorajar uma “nova humildade” em face do poder tecnológico do homem. Jonas espera substituir o desejo do homem pela autossuperação com o temor de que sua “não-moderação prometeica” conduzirá à destruição da biosfera. Esse temor reconhece os limites do conhecimento do homem e é, dessa forma, acompanhado por uma postura da ignorância socrática e pelo reengajamento com a philosophia perennis. Ou seja, uma teoria ética menos hubrística depende de uma posição filosófica modesta em relação ao todo. Somente com base nesta modéstia epistemológica podemos esperar chegar ao futuro ao mesmo tempo com cuidado e sabedoria.