Uma fábula distópica
“Vamos comprar um poeta”, do escritor português Afonso Cruz, faz uma crítica ao consumismo da vida contemporânea Após os cinquenta minutos líquidos de leitura, fechei o livro e guardei-o em minha estante a 90º e paralelo aos outros livros, todos patrocinados. Peguei meu computador, também patrocinado, e comecei a digitar exercendo 5N de força nas teclas. Infelizmente, não sou capaz e tenho pouquíssima disposição para qualquer este valor. Justamente por isso, eu provavelmente não seria capaz de viver em um mundo como o de “Vamos comprar um poeta”, de Afonso Cruz. Uma fábula distópica, lançada inicialmente em 2016, a obra é narrada em primeira pessoa por uma pré-adolescente de, em média, 13 anos. A garota, cujo nome não sabemos e, mesmo que soubéssemos, não faria diferença, decide pedir um presente ao pai. Não farei suspense, mesmo porque, o nome do livro já é bem transparente. Cercada por um mundo consumista, cujas descrições são todas baseadas em dados concretos, em números, cujos...

